‘Espantoso’, reage Dilma à nova flechada de Janot

‘Espantoso’, reage Dilma à nova flechada de Janot

Ex-presidente afirma que segunda acusação formal do procurador-geral da República em menos de 24 horas 'se baseia em provas ilegais e nulas', referindo-se ao grampo que a pegou acertando nomeação de Lula ministro-chefe da Casa Civil, em 2016

Julia Affonso e Luiz Vassallo

06 Setembro 2017 | 21h23

Dilma Rousseff. Foto: Evaristo Sá/AFP

A ex-presidente Dilma reagiu com veemência à nova flechada contra ela disparada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por obstrução de Justiça no episódio da tentativa de nomeação de Lula para a cadeira de mnistro-chefe da Casa Civil, em março de 2016 – e, assim, segundo os investigadores, escapar das mãos do juiz Sérgio Moro.

Foi a segunda flechada de Janot em menos de 24 horas contra a petista. Na terça-feira, 5, ele acusou Dilma de integrar organização criminosa ao lado do antecessor, Lula, de cinco ex-ministros petistas e de um ex-tesoureiro do partido – todos incluídos no ‘quadrilhão’ do PT. Nesta quarta, 6, Janot apresentou a nova acusação.

“É lamentável que o chefe do Ministério Público Federal, 24 horas depois de anunciar uma infundada denúncia contra dois ex-presidentes da República e dirigentes do PT por organização criminosa, sem provas ou indícios, baseado exclusivamente em delações sem base factual, venha propor agora a abertura de uma nova ação penal também sem qualquer fundamento”, afirma Dilma, em nota oficial.

Ela assinalou que ‘chama atenção o fato de que a abertura destas ações tenha sido proposta, em rápida sequência, no exato momento em que situações indevidas envolvendo delações premiadas vieram a público e estarrecem a sociedade brasileira’.

“É espantoso que a nova denúncia se baseie em provas ilegais e nulas, fruto de reconhecida situação abusiva em que conversas da presidenta eleita Dilma Rousseff foram indevidamente interceptadas, divulgadas e descontextualizadas na interpretação do seu real conteúdo”, segue o texto. “Afronta-se com isso a Constituição e as próprias decisões do STF, que reconheceram a abusividade com que tais provas foram coletadas.

Dilma aponta uma ‘curiosa a inversão de papéis’, referindo-se aos grampos dos quais foi alvo, em março de 2016. A interceptação flagrou a então presidente combinando com Lula sua nomeação para a cadeira de ministro-chefe da Casa Civil e, dessa forma, ganhar foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal.

“Os que praticam abusos de direitos e vazamentos ilegais de informações recobertas pelo sigilo legal não são sequer investigados e seus delitos punidos”, sustenta a ex-presidente. “Os que são vítimas destas situações abusivas e ilícitas, ao ver do procurador-geral da República, devem ser transformados em réus de uma ação penal.

“A presidenta eleita Dilma Rousseff acredita na Justiça. A verdade será restabelecida nos autos dos processos e na história.”