Empresário alvo da My Way presenteou ‘Silvinho do PT’ com Land Rover

Empresário alvo da My Way presenteou ‘Silvinho do PT’ com Land Rover

Cesar Oliveira, dono da GDK Engenharia, que deu carro de luxo para secretário do partido, em 2005, agora é suspeito de repassar propinas para ex-diretor da Petrobrás

Redação

06 Fevereiro 2015 | 19h26

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

O empresário Cesar Oliveira, dono da GDK Engenharia e alvo da Operação My Way, deflagrada pela Polícia Federal na quinta feira, 5, para combater suposto esquema de propinas na Petrobrás, protagonizou um outro capítulo emblemático da política brasileira. Foi ele quem presenteou Silvio José Pereira, o “Silvinho do PT”, com um Land Rover, avaliado em R$ 74 mil, na época (2005).

Silvinho exercia, então, o posto de secretário-geral do PT, agremiação que atravessava sua pior crise com o estouro do escândalo do Mensalão. Ele teria recebido o carrão em troca de facilitação para o empresário na Petrobrás.

Land Rover de Silvinho. Foto: Vivi Zanatta/AE

Land Rover de Silvinho. Foto: Vivi Zanatta/AE

A GDK tem negócios com a petrolífera desde o governo Fernando Henrique Cardoso. A empresa e seu dono foram citados em novembro de 2014 na delação premiada do ex-gerente da Diretoria de Serviços da Petrobrás, Pedro Barusco. Segundo o delator, o dono da GDK, Cesar Roberto Santos Oliveira, “agia como operador no pagamento de propinas” no âmbito da Diretoria de Serviços da estatal.

A delação de Barusco deflagrou a Operação My Way, desdobramento da Lava Jato que mira empresas relacionadas com a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás. Barusco declarou que Cesar Oliveira “efetuou o repasse” de US$ 200 mil nas contas ‘K’ e ‘T’, no Banco Lombard Odier, na Suíça.

Segundo o delator, “foram ajustados pagamentos de propinas sobre cinco contratos (da estatal petrolífera) com algumas exceções, todos da Área de Gás e Energia, no valor aproximado total de R$ 700 milhões de reais”. O ex-gerente afirma que os US$ 200 mil supostamente repassados por Cesar Oliveira foram destinados à “Casa”, como Barusco denomina a parceria que ele manteve com o ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque, de quem era braço direito.

Silvio Pereira. Foto: Jamil Bittar/Reuters

Silvio Pereira. Foto: Jamil Bittar/Reuters

Ele não soube informar a conta de origem usada por Cesar Oliveira. À Justiça Federal, a Procuradoria da República sustenta que o empresário “também foi responsável por operacionalizar os pagamentos de propinas a Barusco, em decorrência de contratos firmados pela GDK com a Petrobrás”.

COM A PALAVRA, A GDK ENGENHARIA

“Todos os esclarecimentos acerca desta e de outras matérias já foram prestados às autoridades competentes.”