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Empreiteiro da Engevix negocia delação na Lava Jato

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Empreiteiro da Engevix negocia delação na Lava Jato

José Antunes Sobrinho é réu em duas ações penais sobre esquema de corrupção na Petrobrás e na Eletronuclear

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Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

28 Janeiro 2016 | 15h35

José Antunes Sobrinho. Foto: André Dusek/Estadão - 16/09/2013

José Antunes Sobrinho. Foto: André Dusek/Estadão – 16/09/2013

O empresário José Antunes Sobrinho, um dos sócios da Engevix, está negociando um acordo de delação premiada. A informação foi passada pela defesa do empreiteiro ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, durante audiência na quarta-feira, 27. Antunes Sobrinho é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro na mesma ação em que é réu o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula).

Trecho do termo de audiência da Lava Jato. Foto: Reprodução

Trecho do termo de audiência da Lava Jato. Foto: Reprodução

Também respondem às acusações da Procuradoria da República, no mesmo processo, os outros dois sócios da Engevix, Gérson de Mello Almada e Cristiano Kok. O empreiteiro Gérson Almada já foi condenado a 19 anos de prisão, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa em outro processo da Lava Jato. O interrogatório de Almada está marcado para a sexta-feira, 29.

O empreiteiro também é réu em ação penal envolvendo fraudes na construção de Angra 3. Investigadores da Lava Jato suspeitam que, no total, R$ 4,5 milhões tenham sido pagos por empreiteiras com obras na usina – entre elas a Andrade Gutierrez e a Engevix – a título de propina para o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, via empresas intermediárias.

José Antunes Sobrinho foi preso no dia 21 de setembro de 2015, na Operação “Ninguém Durma”, 19ª fase da Lava Jato. O executivo cumpre regime domiciliar desde dezembro, após decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).

Moro havia perguntado a Antunes Sobrinho sobre supostos pagamentos ao almirante Othon Luiz. A ação corria na 13ª Vara Federal de Curitiba, sob a condução de Sérgio Moro, mas com o fatiamento dos processos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), migrou para a Justiça Federal do Rio. “Não faz parte dessa denúncia, mas por questões de credibilidade envolvendo seu depoimento também há uma outra ação penal envolvendo supostos pagamentos da Engevix para o almirante Othon, o sr. pode esclarecer o fato?”

Após a pergunta do juiz da Lava Jato, a defesa de José Antunes Sobrinho afirmou. “Excelência, se puder interromper, como ele está tratando do acordo de colaboração, tem algumas questões que estão sendo discutidas no acordo. Eu pediria, orientaria que, outras questões fora desse processo, ele permanecesse em silêncio. É uma orientação minha.”

Moro concordou. “Pode ficar. Tem essa informação de que ele pretende colaborar. Questões de credibilidade.”

A defesa explicou. “É uma orientação no interrogatório. Como ele está em tratado de colaboração, o que não cuidasse de Petrobrás, minha orientação é que permanecesse em silêncio em tudo que seja fora desse processo da Petrobrás.”

A audiência seguiu e José Antunes Sobrinho foi questionado sobre sua relação com Dirceu. O empreiteiro afirmou que não tinha relação com o ex-ministro e que esteve com ele em uma viagem a Lima, no Peru. Segundo o sócio da Engevix, o lobista Milton Pascowitch, um dos delatores do esquema de corrupção na Petrobrás, fazia captação de negócio para a empresa.

“(Milton) conversou com meu sócio, Gerson Almada e propuseram de implementar nossa participação no Peru. Nós já tínhamos uma série de contratos , tudo contratos pequenos de consultoria de engenharia em Lima. Mas o sr. José Dirceu, pela sua relação com o presidente pela Alan Garcia, pelas suas relações no país, poderia nos ajudar”, contou.

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“Eu, na verdade, concordei com essa viagem. Essa viagem foi feita no dia 28 de maio de 2008. Voamos para Lima, tivemos um dia de reuniões lá, visitando algumas autoridades, uma das quais era o ministro de Minas e Energia, com o qual a gente tinha serviços em andamento por lá. Voltamos no dia seguinte, no dia 30. Não tive depois com o dr. José Dirceu outros contatos, outras relações. Ele era uma relação mais direta do dr. Pascowitch e, eventualmente, do Dr. Gérson.”

A visita ao Peru “não resultou em nada”, segundo o empresário. José Antunes Sobrinho declarou que este foi o primeiro contrato dele com a Engevix, pelo qual Dirceu recebeu ‘100 e poucos mil reais’.

O empreiteiro citou outro contato que teve com o ex-presidente. “Teve um só contato que foi o seguinte: em algum momento do ano seguinte, eu recebi, a pedido do Gérson, uma missão cubana que tinha interesse em instalar usinas eólicas em cuba. Nós estamos instalando aqui. Nós recebemos a missão, mas não deu mais nada. Os cubanos não tinham condições”, afirmou.

“Esse contato da visita dos cubanos conosco veio por ele (Dirceu). Não foi (pago). Do primeiro contrato, eu, pessoalmente, não tomei conhecimento de nada.”

O juiz Sérgio Moro mostrou ao empresário outros contratos que a Engevix teria assinado com Dirceu. “Não tive nenhuma relação com os demais contratos”, disse José Antunes Sobrinho.

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