Empreiteiro acusa ministro da Saúde de ‘vender’ cargo no Paraná

Empreiteiro acusa ministro da Saúde de ‘vender’ cargo no Paraná

Eduardo Lopes de Souza, da Construtora Valor, afirmou em delação premiada que pagou mesada de R$ 15 mil a Ricardo Barros, que nega atos ilícitos; informações foram divulgadas pela Folha de S. Paulo e confirmadas pela reportagem do Estadão

Da Redação

01 Setembro 2017 | 14h05

Ministro da Saúde, Ricardo Barros. Foto: Sergio Moraes/Reuters

O dono da construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, afirmou, em delação premiada, ter negociado com o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), a compra de um cargo no governo estadual em troca de uma mesada de R$ 15 mil. As informações são da repórter Bela Megale, da Folha de S. Paulo, e foram confirmadas pela reportagem do Estadão.

A empreiteira é acusada por supostos desvios de R$ 20 milhões na Secretaria de Educação do Paraná e seu dono, cuja delação está acertada com a Procuradoria-Geral da República e pendente de homologação no Supremo Tribunal Federal, é alvo da operação Quadro Negro.

O executivo alega ter se reunido com Barros em 2015, quando o ministro ainda exercia mandato de deputado federal. Nesse encontro teria sido acertada a nomeação de Marilane Aparecida Fermino para o cargo de assistente na vice-governadoria, para auxiliar a construtora na pasta da Educação, em troca de R$ 15 mil mensais entregues a Juliano Borguetti, cunhado do parlamentar e também alvo da Quadro Negro.

A servidora está até hoje nomeada no governo paranaense. Ela ocupa cargo na Secretaria de Administração e Previdência do Paraná.

O ministro e o ex-vereador Juliano Borghetti, que chegou a ser preso na Quadro Negro, negaram relação entre os pagamentos do delator à nomeação. Eles alegaram que Borghetti recebeu os valores por ter trabalhado para a construtora.

A reportagem não localizou a defesa de Borghetti.

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DA SAÚDE

Pelas informações, trata-se de delação no âmbito da operação Quadro Negro.

Deve ser destacado que os fatos citados nada têm a ver com esta operação, pois Juliano trabalhou por três meses na Valor, empresa do pretenso delator, em período posterior às irregularidades citadas e anterior ao seu conhecimento público.

A operação Quadro Negro já virou inquérito e ação na Justiça há mais de um ano. Todos os envolvidos já foram ouvidos e não houve qualquer citação ao ministro.

Quanto à insinuação de “troca de cargo” envolvendo a servidora Marilaine Firmino, a suposta acusação não procede, pois ela é funcionária de carreira do Estado e nunca trabalhou na Secretaria do Meio Ambiente.

Antes do episódio, ela ocupava cargo na secretaria de Educação, foi nomeada em FG (Função Gratificada) da vice governadoria, mas trabalhou efetivamente na Casa Civil. Depois, em abril, foi para a Secretaria de Administração, em março de 2017 alocada na Secretaria de Desenvolvimento Urbano como ouvidora, e em julho de 2017 voltou para a Secretaria de Administração.

A menção à colaboração voluntária da empresa no período de campanha é no estrito cumprimento da legislação eleitoral à época.

O ministro já solicitou ao ministro do STF, Luiz Fux, a abertura de sindicância para identificar os autores do vazamento, conforme preconiza a lei. O vazamento prejudica os citados, na medida em que nem ele nem seus advogados têm conhecimento sobre o conteúdo efetivo da delação, e se ela de fato existe.

O ministro também solicitará, se ou quando, notificado a separação deste suposto fato envolvendo R$ 45 mil do conjunto da Operação Quadro Negro, pois não há efetivamente nenhuma conexão entre os fatos que, segundo o que se sabe da narrativa do delator ocorreram em períodos distintos.

Juliano, no ano passado, já fez sua declaração no processo judicial reafirmando sua condição de contratado pela empresa Valor onde recebia salário.

O ministro esta à inteira disposição para esclarecimentos quando tiver acesso ao inteiro teor da suposta delação, reafirmando sua lisura no exercício da função pública.”