Emerson Sheik é citado por delator da ‘Câmbio, desligo’

Emerson Sheik é citado por delator da ‘Câmbio, desligo’

Atacante do Corinthians teria feito transação para compra de apartamento com doleiro Sérgio Mizrahy, alvo da operação deflagrada nesta quinta, 3, para desmontar organização formada pelos maiores e mais importantes operadores do mercado paralelo da moeda americana no País

Luiz Fernando Teixeira/SÃO PAULO e Roberta Pennafort/RIO

04 Maio 2018 | 11h55

Emerson Sheik. Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

O atacante Emerson Sheik, campeão do mundo pelo Corinthians, tem algo além das defesas adversárias para se preocupar: seu nome foi citado na Operação ‘Câmbio, desligo’, que nesta quinta-feira, 3, pegou os maiores doleiros em atividade no País. Em delação premiada, Cláudio Fernando Barbosa, o ‘Tony’ que – ao lado de Vinícius Vieira Barreto Claret, o ‘Juca Bala’ -, deu origem à grande ofensiva contra o mercado paralelo da moeda americana detalhou as transações de alguns operadores, um deles Sérgio Mizrahy. Segundo o delator, Mizrahy fez negócio com Sheik.

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“Os colaboradores ainda apontam atuação de Mizrahy no mercado ilegal de câmbio, por meio de operações dólar-cabo. De acordo com Claudio (‘Tony’), a soma dessas transações alcançou a cifra de US$ 4.550.000,00 (quatro milhões e quinhentos e cinquenta mil dólares), durante os anos de 2011 a 2017. A título de exemplo, Claudio cita a transação de dólar paralelo realizada por Sergio com o jogador de futebol Emerson Sheik, para a compra de um apartamento para o último”, destaca a decisão do juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal do Rio de Janeiro.

+ Lava Jato caça doleiros que movimentaram US$ 1,6 bi

Nesta quinta, 3, Bretas mandou deflagrar ‘Câmbio, desligo’, contra dezenas de doleiros por suspeita de movimentação de US$ 1,6 bilhão em 52 países, via 3 mil offshores.

O jogador do Timão não foi alvo de mandados da ‘Câmbio, desligo’, mas seu nome está lá, no depoimento do delator.

A operação visa desarticular organização criminosa especializada na prática de crimes financeiros e evasão de divisas, ‘responsável por complexa estrutura de lavagem de dinheiro transnacional, ocultação e ocultação de divisas’.

‘Tony’ e ‘Juca Bala’ foram presos em 3 de março de 2017 no Uruguai e intermediavam operações dólar-cabo para os irmãos Chebar, também doleiros e operadores financeiros do esquema do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), aponta a Procuradoria.

“Os colaboradores ‘Juca’ e ‘Tony’ funcionavam como verdadeira instituição financeira, fazendo a compensação de transações entre vários doleiros do Brasil, servindo como ‘doleiros dos doleiros’, indicando clientes que necessitavam dólares (compradores) e que necessitavam reais”, informam os procuradores que integram a força-tarefa da Lava Jato no Rio.

COM A PALAVRA, O SHEIK
A reportagem está tentando contato com o jogador do Timão. O espaço está aberto para manifestação.

OS ALVOS DA ‘CÂMBIO, DESLIGO’
Os mandados de prisão foram expedidos contra: Dario Messer, Diego Renzo Candolo, Daniela Figueiredo Neves Diniz, Marcelo Rzezinski, Roberto Rzezinski, Wu Yu Sheng, Claudia Mitiko Ebihara, Lígia Martins Lopes da Silva, Carlos Alberto Lopes Caetano, Sérgio Mizhray, Carlos Eduardo Caminha Garibe, Ernesto Matalon, Marco Ernest Matalon, Patrícia Matalon, Bella Kayreh Skinazi, Chaaya Moshrabi, Marcelo Fonseca de Camargo, Paulo Arruda, Roberta Prata Zvinakevicius, Francisco Araújo Costa Júnior, Afonso Fábio Barbosa Fernandes, Paulo Aramis Albernaz Cordeiro, Antônio Cláudio Albernaz Cordeiro, Athos Robertos Albernaz Cordeiro, Suzana Marcon, Carmen Regina Albernaz Cordeiro, Cláudio Sá Garcia de Freitas, Ana Lúcia Sampaio Garcia de Freitas, Camilo de Lelis Assunção, José Carlos Maia Saliba, Alexandre de Souza Silva, Claudine Spiero, Michel Spiero, Richard Andrew de Mol Van Otterlloo, Raul Henrique Srour, Marco Antônio Cursini, Nei Seda, Renne Maurício Loeb, Alexander Monteiro Henrice, Henri Joseph Tabet, Alberto Cezar Lisnovetzky, Lino Mazza Filho, Carlos Alberto Braga de Castro, Rony Hamoui, Henrique Chueke, Wander Bergmann Vianna e Oswaldo Prado Sanches.