Emails mostram que ex-prefeito de Belém orientou assessora a abrir empresa da fraude

Duciomar Costa (PTB), o 'Dudu', foi preso nesta sexta-feira, 1, na Operação Forte do Castelo sob suspeita de comandar organização criminosa que desviou R$ 400 milhões dos cofres públicos

Fábio Serapião/BRASÍLIA

01 Dezembro 2017 | 13h37

Emails interceptados pela força-tarefa da Operação Forte do Castelo, deflagrada nesta sexta-feira, 1, revelam que o ex-prefeito de Belém Duciomar Costa (PTB), o ‘Dudu’, orientou uma assessora a constituir uma empresa que, mesmo sem prática nenhuma na construção civil, ganhou licitações de obras milionárias durante sua gestão (2005/2012) na capital paraense. A troca de correspondências, na avaliação dos investigadores, reforça a suspeita de que ‘Dudu’ detinha o controle efetivo da organização criminosa que teria desviado R$ 400 milhões dos cofres públicos, inclusive recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

‘Dudu’, que também foi senador pelo Pará, foi preso na Operação Forte do Castelo. Em sua residência, a Polícia Federal apreendeu R$ 210 mil em dinheiro vivo – cédulas de real, dólar e euro em uma mala.

Forte do Castelo é uma ação integrada da PF, Procuradoria da República e Controladoria-Geral da União. Além de ‘Dudu’ foram presos outros três investigados, todos em regime temporário, por cinco dias.

A PF informou que o nome da operação que levou ‘Dudu’ para a cadeia faz referência à construção levantada sobre a Baía do Guarajá no ano de 1616, ano da fundação da cidade de Belém, para conter ataques de saqueadores que rondavam a região.


Com autorização judicial, os investigadores acessaram emails do ex-prefeito. A investigação mostra que após a orientação de ‘Dudu’, sua então assessora, de fato, constituiu uma empresa que passou a ganhar licitações importantes e foi contratada para obras milionárias.

O prejuízo já identificado pela Operação Forte do Castelo inclui recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), convênios celebrados com o Ministério do Esporte e repasses do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e do Fundo Nacional de Saúde (FNS).

Os desvios na gestão ‘Dudu’ teriam ocorrido por meio de fraudes a licitações e contratos com empresas da construção civil firmados com as áreas da Habitação e Urbanismo e Comunicação no período em que ele administrou Belém.

Os investigadores constataram, ainda, subcontratações.

Forte do Castelo teve origem após auditoria da Controladoria em licitações da prefeitura de Belém, entre 2005 e 2012.

A investigação foi aberta após solicitação do Ministério Público Federal à Controladoria para analisar processos licitatórios da prefeitura de Belém com a participação de quatro empresas investigadas.

As fiscalizações da CGU constataram ‘indícios de fraude ao caráter competitivo e o direcionamento de licitações para beneficiar as empresas, todas vinculadas ao grupo de pessoas ligadas ao ex-prefeito’.

‘Dudu’ e seus aliados deverão ser indiciados por fraudes em licitações, crimes de apropriação de recursos públicos, corrupção e associação criminosa.

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