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Em relatório da Lava Jato, PF listou viagens de familiares de Lula ao Panamá

Em relatório da Lava Jato, PF listou viagens de familiares de Lula ao Panamá

Lulinha foi em 2014 ao país, que é paraíso fiscal e escala para praias do Caribe, com Fernando Bittar, sócio e dono do sítio de Atibaia, e com sobrinho do ex-presidente, registra documento anexado a inquérito

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Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso

30 Março 2016 | 12h11

DESTAQUE VIAGENS LULINHA

Um relatório da Polícia Federal da investigação que tem como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva destaca viagens feitas por familiares ao Panamá. Principal escala para as paradisíacas praias caribenhas, como as da República Dominicana, o país é também um dos destinos de investigados pela Operação Lava Jato para a abertura de empresas offshores – que foram usadas para movimentação de propina em contas secretas no exterior.

O Relatório de Análise 769, da PF, apresenta dados dos familiares de Lula, seus irmãos José Ferreira da Silva, o Frei Chico, e Genival Ignácio da Silva, o Vavá, e do sobrinho Taiguara Rodrigues dos Santos. O documento inclui “os vínculos societários dos mesmos e seus familiares, bem como, outras informações relevantes”. Entre essas informações, as viagens internacionais dos alvos desde 2007, com base em dados extraídos do Sistema Nacional de Tráfego Internacional.

Uma das viagens ao Panamá destacadas pela PF é a de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, em novembro de 2014. No mesmo voo estavam Fernando Bittar, sócio e dono, na escritura, do papel do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), que a força-tarefa diz ser do ex-presidente, e o primo Taiguara.

“Cabe observar que no voo CM 0724, da Copa Airlines, saindo de São Paulo/SP em 1 de novembro de 2014 com destino a Cidade do Panamá/Panamá e com retorno através do voo CM 0701, em 7 de novembro de 2014, transportou em comum Fábio Luis Lula da Silva, Fernando Bittar e Taiguara Rodrigues dos Santos”, registra o relatório da PF.

FABIO LUIS VIAGENS

FABIO LUIS VIAGENS 2

Fernado Bittar é sócio, junto com o irmão Khalil Bittar, de Lulinha na G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, Gamecorp e BR4 Participações. O relatório não imputa crimes aos investigados, mas a Lava Jato suspeita que a família Bittar e até mesmo familiares possam ter servido para ocultar bens e patrimônio do ex-presidente.

A defesa do ex-presidente Lula nega que ele seja dono do sítio em Atibaia. Segundo ele, o imóvel foi comprado em 2010 pelo amigo Jacó Bittar, ex-prefeito de Campinas do PT, e colocado em nome do filho Fernando. A propriedade serviria para propiciar o “convívio entre as duas famílias”. Ontem, por meio da assessoria de imprensa do Instituto Lula, ele atacou o relatório que analisou viagens internacionais da família.

“Esse relatório, e seu vazamento para a imprensa, é só mais uma amostra do grau de obsessão da Operação Lava Jato em perseguir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo sem haver nenhum indício de qualquer crime cometido pelo ex-presidente ou de qualquer relação destas pretensas investigações sobre sua família com os desvios da Petrobras que são a razão de ser da Operação”, informa o instituto. “Não faz nenhum sentido a perda de tempo de funcionários do estado e de recursos públicos listando viagens ao exterior de familiares do ex-presidente que não exercem cargos públicos nem estão sendo acusados de qualquer crime.”

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Fernando Bittar viajou para fora do País seis vezes com Lulinha, segundo o documento da PF. O relatório não aponta o destino final das viagens. O levantamento foi feito, no entanto, porque alguns dos alvos da Lava Jato usaram o Panamá para abertura de offshores. Alguns nomes ligados ao PT, como o ex-ministro José Dirceu e a cunhada do ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto apareceram com elos no país.

No caso de Lulinha, a PF analisou suas viagens entre 23 de setembro de 2007 e 7 de novembro de 2014. O documento, assinado pelo delegado Márcio Anselmo, registra que considerando o “período e voos “foi realizada pesquisa visando identificar as pessoas que, com maior frequência viajaram nos mesmos voos tomados por Fábio Luis Lula da Silva, desconsiderando-se aqueles com uma única viagem (trecho) em comum”. Ressaltam ainda que “o mero fato de viajarem nos mesmo voos, por si só não tem condão de estabelecer vinculo entre tais pessoas, carecendo para tal de uma análise mais aprofundada, podendo caracterizar mera coincidência”.

LUIS CLAUDIO VIAGENS

Zelotes. Outro filho de Lula, Luis Claudio Lula da Silva, também teve suas viagens internacionais analisadas. Ele foi ao Panamá em janeiro de 2015.

“Cabe observar que no voo CM0700, da Copa Airlines, saindo de São Paulo/SP em 2 de janeiro de 2015 com destino a Cidade do Panamá/Panamá e com retorno através do voo CM 0795, em 13 de janeiro de 2015, transportou em comum Luis Claudio Lula da Silva, seu cônjuge Fátima Rega Cassaro, Lilina Rega Cassaro e Marcos Gomes Cassaro”, registra o relatório. “Estes últimos, pais de Fátima e, à época, sócios de Luis Claudio na empresa Silva e Cassaro Corretora de Seguros Ltda.”

LUIS CLAUDIO VIAGENS 2

LUIS CLAUDIO VIAGENS 3

Luis Claudio é investigado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal em outra frente: ele é alvo da Operação Zelotes. Por meio de suas empresas, a LFT Marketing Esportivo e a Touchdown Promoção e Eventos Esportivos, ele é suspeito de recebimentos de empresas em um esquema milionário de suposta venda de medidas provisórias no governo.

Irmão e sobrinho. A PF destacou que Taiguara, o sobrinho de Lula, viajou três vezes para o Panamá no ano de 2014 – uma delas com Lulinha e Fernando Bittar, o dono do sítio.

Taiguara é filho de Jacinto Ribeiro dos Santos, conhecido como Lambari, irmão da primeira mulher de Lula, Maria de Lourdes da Silva – já falecida. Seu nome é conhecido em Brasília, como o “sobrinho de Lula”. A PF anexou uma reportagem da revista Veja, no relatório, sobre a ascensão de negócios a partir de 2009, com citação a contratos em Angola e com a Odebrecht – alvo da Lava Jato. Ele é dono da Exergia Brasil Projetos de Engenharia.

TAIGUARA VIAGENS

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TAIGUARA VIAGENS 3

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“Taiguara, no ano de 2014, viajou três vezes para a Cidade do Panamá/Panamá, primeiramente, utilizou o voo de saída CM0702 em 26 de março de 2014 e retorno pelo voo CM0725 em 3 de abril de 2014”, aponta a PF. Há ainda registro de voo no dia 7 de setembro do mesmo ano e retorno no dia 11. E um terceiro, em novembro, tendo o primo Lulinha e o dono do sítio Fernando Bittar como passageiros comuns. Um dos acompanhantes das viagens trabalha na Exergia.

No mesmo ano, a PF destaca que o sobrinho de Lula viajou para a Lisboa, em Portugal, duas vezes para Angola e uma para Paris.

Há ainda o destaque para viagem feita por Frei Chico, com familiares. Consta uma saída do Brasil com destino ao Panamá no dia 12 de dezembro de 2012 com retorno no dia 28. Há ainda um retorno no dia 11 de março de 2015 do Panamá, “não constando no sistema a data de sua saída do Brasil”. Estavam no voo sua mulher, dois filhos e uma neta.

FREI CHICO VIAGENS

FREI CHICO VIAGENS 2

“Apesar de não constar a saída do território brasileiro de José Ferreira da Silva, em relação ao voo de retorno (CM0709) da Cidade do Panamá em 11 de março de 2015, pode-se afirmar que trata de voo CM0702 de 28 de fevereiro de 2015, tendo em vista o registro de saída de sua esposa Ivene e filha Larissa, as quais também consta do voo de retorno”, registra a PF.

Fernando Bittar, por meio do criminalista Alberto Zacharias Toron, que é seu defensor no inquérito sobre o sítio em Atibaia, informou desconhecer o conteúdo do relatório da PF e que não comentaria o assunto.

Frei Chico e Taiguara não foram localizados para comentar o caso.

COM A PALAVRA, O INSTITUTO LULA

O ex-presidente Lula desqualificou, por meio de nota divulgada pela assessoria de imprensa do Instituto Lula, o relatório da PF e atacou o que chamou de perseguição ao ex-presidente. Leia a íntegra da nota:

“Esse relatório, e seu vazamento para a imprensa, é só mais uma amostra do grau de obsessão da Operação Lava Jato em perseguir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo sem haver nenhum indício de qualquer crime cometido pelo ex-presidente ou de qualquer relação destas pretensas investigações sobre sua família com os desvios da Petrobras que são a razão de ser da Operação. Não faz nenhum sentido a perda de tempo de funcionários do estado e de recursos públicos listando viagens ao exterior de familiares do ex-presidente que não exercem cargos públicos nem estão sendo acusados de qualquer crime. Após divulgar conversas telefônicas privadas, a privacidade de familiares do ex-presidente é de novo desrespeitada pelo mero fato de serem parentes de Lula. Vamos deixar claro mais uma vez: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre agiu dentro da lei antes, durante e depois de ocupar a presidência da República por dois mandatos. Não tem contas no exterior, não oculta patrimônio, não tem “offshore”. Não é dono de apartamento no Guarujá ou sítio em Atibaia. Não cometeu nenhum crime. E só é possível compreender a forma como ele é perseguido e difamado de maneira obsessiva por ser  reconhecido como o melhor presidente da história do Brasil.”

 

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