Em NY, Moro fala dos impeachments de Collor e Dilma e de Lula preso

Em NY, Moro fala dos impeachments de Collor e Dilma e de Lula preso

‘Apesar de dois impeachments e um ex-presidente preso, não há sinais de rupturas democráticas’, disse o juiz da Lava Jato ao receber o prêmio Person of the Year, na noite desta terça, 15

Redação

16 Maio 2018 | 11h25

Sérgio Moro e a mulher, Rosângela Moro. FOTO: Vanessa Carvalho/Estadão

Em discurso no prêmio Person of the Year, na noite desta terça-feira, 15, em Nova York, o juiz federal Sérgio Moro afirmou que ‘apesar de dois impeachments presidenciais e um ex-
presidente preso, não houve e não há sinais de rupturas democráticas’ no Brasil. O magistrado símbolo da Operação Lava Jato foi homenageado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos com a premiação que é tradicionalmente dado a personagens destacadas da iniciativa privada brasileira e americana.

“Nós construímos desde a independência um grande país. Livre e democrático desde pelo menos 1985. Estável politicamente há mais de trinta anos. Apesar de dois impeachments presidenciais e um ex-presidente preso, não houve e não há sinais de rupturas democráticas”, declarou, referindo-se aos ex-presidentes Fernando Collor, cassado em 1992, e Dilma Rousseff, cassada em 2016, e Luiz Inácio Lula da Silva, preso em 7 de abril deste ano por ordem dele próprio, Moro.

Durante o discurso, o juiz destacou o fato de executivos de grandes empreiteiras, da Petrobrás e políticos terem sido julgados e presos no Brasil, o que, segundo ele, indica duas percepções.

Por um lado, afirmou, o País não ter conseguido impedir ‘o mal uso do poder para ganhos privados’ por causar certa vergonha; por outro, no entanto, o avanço das investigações deve ser motivo de orgulho, em sua avaliação. “Nada de baixar a cabeça, o futuro só pode ser visto olhando acima o horizonte. E então você precisa elevar sua visão.”

O magistrado afirmou ainda que é necessário ‘restaurar a confiança’.

“Assim agindo também retomaremos a confiança do mundo em nosso país. Esse é um trabalho de todos, mas especialmente dos senhores e senhoras aqui presentes, empresários, intelectuais, lideranças em seus respectivos setores. Nada de baixar a cabeça, o futuro só pode ser visto olhando para acima do horizonte e então você precisa elevá-la.”