‘Em nome do decoro’

‘Em nome do decoro’

Em nota pública, Associação dos Advogados de São Paulo critica ministros Barroso e Gilmar, que bateram boca no Supremo em sessão plenária, e alerta que 'atitudes assim contribuem pela relevância do mau exemplo'

Julia Affonso e Luiz Vassallo

28 Outubro 2017 | 05h00

Gilmar Mendes e Luis Roberto Barroso. Fotos: Nelson Jr/SCO/STF

A Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) declarou que a refrega protagonizada pelos ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes na sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, quinta-feira, 26, ‘presta enorme desserviço à Nação’.

“Magistrados devem exercer a sagrada missão de julgar despidos de vaidades e interesses pessoais”, assinala a AASP, em nota pública. “O símbolo desse desapego é a toga. Deles se espera, em qualquer instância, produtividade, eficiência, objetividade e, seria bom não ter de dizê-lo, urbanidade e decoro.”

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Na sessão plenária, Barroso e Gilmar trocaram graves acusações. Não chegaram às vias de fato, mas faltou pouco para o sodalício virar um ringue.

Gilmar disse que Barroso foi o responsável pela soltura do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula), no Mensalão e que ‘não defende bandidos internacionais’.

“Não transfira para mim essa parceria que Vossa Excelência tem com a leniência em relação à criminalidade do colarinho branco”, provocou Barroso, pondo fogo no pretório.

Com cerca de 90 mil associados e 74 anos de existência, a Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) é a maior entidade de advogados da América Latina.

Na nota pública, a AASP não cita nomes, mas a referência é a Barroso e a Gilmar. “Em face de recentes acontecimentos que envolveram ministros do Supremo Tribunal Federal, vem a público externar sua preocupação e, uma vez mais, conclamar a todos que desempenhem seus ofícios com serenidade e equilíbrio.”

“A ácida discussão entre dois ministros, transmitida ao vivo pela TV Justiça a partir do Plenário da Corte, a par de não ser inédita, presta enorme desserviço à Nação.”

A entidade da Advocacia faz um alerta e dá um puxão de orelha nos ministros briguentos. “Atitudes assim afetam a imagem e a respeitabilidade do Supremo Tribunal Federal; infundem perigosamente na população brasileira, hoje tão incrédula nos demais poderes constituídos, o mesmo sentimento em relação à Justiça.”

Segundo AASP, essas ‘atitudes contribuem pela relevância do mau exemplo, para que se repitam nas demais instâncias do Poder Judiciário, afetando não só o relacionamento harmônico que deve existir entre juízes, mas igualmente destes para com advogados e membros do Ministério Público’.

“Os tempos atuais e as graves dificuldades pelas quais passa o País, dentre elas a morosidade da Justiça, exigem atuação dedicada e comprometida de todos os operadores do Direito.”

A Associação dos Advogados de São Paulo prega que ‘magistrados devem exercer a sagrada missão de julgar despidos de vaidades e interesses pessoais – o símbolo desse desapego é a toga’.

“Deles se espera, em qualquer instância, produtividade, eficiência, objetividade e, seria bom não ter de dizê-lo, urbanidade e decoro.”

“Com isso não condizem discussões inadequadas e desrespeitosas, apodos e acusações, ainda mais sobre temas estranhos àqueles objeto dos processos examinados.”

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA PÚBLICA DA AASP

“Em nome do decoro.

A Associação dos Advogados de São Paulo – AASP, em face de recentes acontecimentos que envolveram Ministros do Supremo Tribunal Federal, vem a público externar sua preocupação e, uma vez mais, conclamar a todos que desempenhem seus ofícios com serenidade e equilíbrio.”

“A ácida discussão entre dois Ministros, transmitida ao vivo pela TV Justiça a partir do Plenário da Corte, a par de não ser inédita, presta enorme desserviço à Nação.”

“Atitudes assim afetam a imagem e a respeitabilidade do Supremo Tribunal Federal; infundem perigosamente na população brasileira, hoje tão incrédula nos demais poderes constituídos, o mesmo sentimento em relação à Justiça; contribuem, por fim, pela relevância do mau exemplo, para que se repitam nas demais instâncias do Poder Judiciário, afetando não só o relacionamento harmônico que deve existir entre juízes, mas igualmente destes para com advogados e membros do Ministério Público.”

“Os tempos atuais e as graves dificuldades pelas quais passa o País, dentre elas a morosidade da Justiça, exigem atuação dedicada e comprometida de todos os operadores do Direito.”

“Magistrados devem exercer a sagrada missão de julgar despidos de vaidades e interesses pessoais – o símbolo desse desapego é a toga. Deles se espera, em qualquer instância, produtividade, eficiência, objetividade e – seria bom não ter de dizê-lo – urbanidade e decoro.”

“Com isso não condizem discussões inadequadas e desrespeitosas, apodos e acusações, ainda mais sobre temas estranhos àqueles objeto dos processos examinados.”
Associação dos Advogados de São Paulo – AASP

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