Elogiado na sessão do impeachment na Câmara é preso pela Polícia Federal

Elogiado na sessão do impeachment na Câmara é preso pela Polícia Federal

Em seu voto, deputada Raquel Muniz (PSD) disse que o 'Brasil tinha jeito' ao votar pelo afastamento de Dilma e citou como exemplo seu marido e prefeito de Montes Claros, Ruy Borges Muniz (PSB), preso menos de 24 horas depois

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

18 Abril 2016 | 11h27

ruymunizdiv

O prefeito de Montes Claros, Ruy Borges Muniz. Foto: Divulgação

O prefeito de Montes Claros (MG), Ruy Adriano Borges Muniz (PSB) e a secretária de saúde do município Ana Paula Nascimento foram presos pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira, 18, pela operação Máscara da Sanidade II – Sabotadores da Saúde, que investiga fraudes para favorecer hospitais privados ligados ao prefeito da cidade. A prisão ocorre um dia após o político ser elogiado por sua mulher, a deputada Raquel Muniz (PSB), ao proferir seu voto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Meu voto é pra dizer que o Brasil tem jeito, o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão”, afirmou a deputada durante a votação deste domingo que, com 367 votos autorizou a continuidade do processo de afastamento da petista que agora segue para o Senado. “Meu voto é pelo Brasil”, concluiu a deputada.

Menos de 24 horas depois, a Polícia Federal prendeu o prefeito na capital federal. Segundo as investigações, o grupo do prefeito teria atuado para inviabilizar os  hospitais públicos da cidade. Somente em outubro de 2015, segundo a PF, o grupo de Muniz retirou cerca de 26 mil consultas especializadas e 11 mil exames dos hospitais públicos municipais.


VEJA O VOTO DE RAQUEL MUNIZ NA SESSÃO DO IMPEACHMENT:

Em contrapartida, o hospital privado gerido pela família da deputada que diz querer “melhorar” o País, teria sido beneficiado com os procedimentos que foram retirados dos hospitais municipais. Além disso, segundo a PF, desde julho de 2015 até agora, Ruy Muniz se aproveitou do cargo e utilizou verba pública para promover nos principais veículos de comunicação regionais “uma ampla e intensa campanha difamatória contra os hospitais público e filantrópico ‘concorrentes’, inclusive lançando mão de dados e informações falsas”, diz a nota da Polícia Federal..

Ao todo, foram expedidos oito mandados judiciais pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região: quatro de busca e apreensão, dois de busca pessoal, além de dois de prisão preventiva.

O prefeito e a secretária de Saúde já são alvo de denúncia no TRF 1 onde devem responder pelos crimes de falsidade ideológica, dispensa indevida de licitação, estelionato, prevaricação e peculato (desvio de dinheiro). Se condenados, as penas máximas aplicadas aos crimes ultrapassam 30 anos.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DA PREFEITURA DE MONTES CLAROS:

“A Administração de Montes Claros recebeu, surpresa, mas com serenidade, na manhã desta segunda-feira, a decisão do Desembargador Federal Ney Bello, do Tribunal Federal da Primeira Região, determinando a prisão preventiva do prefeito Ruy Adriano Borges Muniz e da secretária da Saúde, Ana Paula Nascimento.

O prefeito Ruy Muniz permanece no pleno exercício do cargo; todos os órgãos da Administração continuam funcionando normalmente.

Como é de determinação do prefeito, a Prefeitura de Montes Claros ofereceu toda a colaboração aos agentes da Polícia Federal que foram acompanhados pela procuradora geral do município, Dra. Marilda Marlei Barbosa Oliveira e Silva.

A Administração tem plena convicção de que a decisão, absurda, será revertida com a maior brevidade possível, por entender que a Justiça Federal foi induzida a erro ao receber informações que não se harmonizam com a verdade.

É público e notório que o prefeito Ruy Muniz cobrou profundas mudanças no sistema de saúde de Montes Claros, contrariando grandes interesses e provocando uma forte e indevida perseguição política contra a sua pessoa e da secretária de Saúde, Ana Paula Nascimento.

Representada pelo vice-prefeito José Vicente Medeiros e todos os seus secretários e assessores de gestão, e demais detentores de cargos de confiança, a Administração de Montes Claros aguarda, confiante, que seja feita Justiça.”