Eles também voltaram!

Eles também voltaram!

Ex-governadores do Rio Anthony Garotinho e Rosinha foram presos de novo nesta quarta-feira, 22; ele deverá ficar na cadeia de Benfica, onde já estão seu sucessor e desafeto, o ex-governador Sérgio Cabral, e os deputados estaduais Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo 'Pinguim'

Julia Affonso

22 Novembro 2017 | 11h56

Anthony Garotinho. FOTO FABIO MOTTA/ESTADÃO

Pouco mais de um ano após ser preso na Operação Chequinho, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho está de volta à cadeia. Nesta quarta-feira, 22, Garotinho e sua mulher Rosinha, também ex-chefe do Executivo fluminense, foram capturados pela Polícia Federal.

Garotinho deverá ser transferido para a cadeia de Benfica, na zona norte do Rio, onde já estão seu sucessor e desafeto, o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) e os deputados estaduais Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo ‘Pinguim’, todos peemedebistas.

Sérgio Cabral está preso desde novembro de 2016. Picciani, Melo e Albertassi chegaram a Benfica nesta terça-feira, 21.

A primeira prisão de Garotinho, na Chequinho, ocorreu em 16 de novembro do ano passado. Na ocasião, o ex-governador foi capturado em sua casa, no Flamengo, Rio. Anthony Garotinho governou o Rio entre 1999 e 2002.

No ano passado, a Chequinho mirou um esquema de compra de votos em Campos, base eleitoral do casal Garotinho. A PF investigou o Programa Cheque Cidadão que teria sido usado para cooptar eleitores no último pleito no município situado ao Norte do Estado do Rio.

Garotinho ficou cerca de dois dias preso. Em 18 de novembro de 2016, a então ministra Luciana Lóssio, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tirou o ex-governador do Rio do presídio de Bangu.

Em 13 de setembro deste ano, o ex-governador foi preso por dois agentes da Polícia Federal enquanto apresentava seu programa diário na Rádio Tupi, Fala Garotinho, na Zona Norte do Rio. Cumprindo decisão da 100ª Vara Eleitoral, ele foi levado para sua casa em Campos. Por 4 a 2, em 26 de setembro, o TSE decidiu anular a prisão domiciliar imposta a Garotinho.

Desta vez, o alvo é um contrato da JBS com a empresa Ocean Link Solution. A PF e o Ministério Público Estadual identificaram elementos que apontam que uma grande empresa do ramo de processamento de carnes firmou contrato fraudulento com uma empresa sediada em Macaé/RJ para prestação de serviços na área de informática.

Suspeita-se que os serviços não eram efetivamente prestados e que o contrato, de aproximadamente R$ 3 milhões, serviria apenas para o repasse irregular de valores, via caixa 2, para campanhas eleitorais.

COM A PALAVRA, GAROTINHO E ROSINHA

“Querem calar o Garotinho mais uma vez

O ex-governador Anthony Garotinho atribui a operação de hoje a mais um capítulo da perseguição que vem sofrendo desde que denunciou o esquema do governo Cabral na Assembleia Legislativa e as irregularidades praticadas pelo desembargador Luiz Zveiter.

O ex-governador afirma que tanto isso é verdade que quem assina o seu pedido de prisão é o juiz Glaucenir de Oliveira, o mesmo que decretou a primeira prisão de Garotinho, no ano passado, logo após ele ter denunciado Zveiter à Procuradoria Geral da República.

Garotinho afirma ainda que nem ele nem nenhum dos acusados cometeu crime algum e, conforme disse ontem no seu programa de rádio, foi alertado por um agente penitenciário a respeito de uma reunião entre Sergio Cabral e Jorge Picciani, durante a primeira prisão do deputado em Benfica. Na ocasião, o presidente da Alerj teria afirmado que iria dar um tiro na cara de Garotinho.

Agora, a ordem de prisão do juiz Glaucenir é para que Garotinho vá com sua esposa para Benfica, justamente onde estão os presos da Lava Jato.

Cabe frisar que essa a operação à qual Garotinho e Rosinha respondem não tem relação alguma com a Lava Jato.”