‘Ela também, pega daqui, pega dali’, diz grampo da Mamãe Noel sobre Dárcy Vera

‘Ela também, pega daqui, pega dali’, diz grampo da Mamãe Noel sobre Dárcy Vera

Interceptação telefônica flagrou dois investigados na operação que apura fraudes milionárias na Prefeitura de Ribeirão Preto sugerindo que a chefe do Executivo teria ‘muitas fontes de renda’

Julia Affonso e Mateus Coutinho

03 Dezembro 2016 | 06h25

Dárcy Vera. Foto: Renato Lopes/FuturaPress

Dárcy Vera. Foto: Renato Lopes/FuturaPress

Um grampo telefônica da Operação Mamãe Noel – desdobramento da Sevandija – flagrou dois investigados sugerindo que a prefeita de Ribeirão Preto (SP), Dárcy Vera (PSD), teria ‘muitas fontes de renda’. Dárcy Vera foi presa na sexta-feira, 2, afastada do cargo e denunciada por corrupção pelo Ministério Público de São Paulo.

A interceptação da Mamãe Noel pegou uma conversa entre os advogados ambos do Sindicatos dos Servidores Públicos Municipais Maria Zuely Librandi e Sandro Torvani – apontado como operador do esquema. Eles citaram Dárcy Vera e o ex-superintendente do Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão de Preto (DAERP), Marco Antonio Santos.

O Ministério Público de São Paulo revelou três esquemas na Prefeitura de Ribeirão Preto: indicação de terceirizados em troca de apoio político, fraudes licitatórias no DAERP e conluio para prática de peculato e corrupção com advogados e o Sindicato dos Servidores Municipais. O esquema envolvendo os advogados, a entidade e a Prefeitura desviou R$ 45 milhões. Dárcy Vera teria sido beneficiária de R$ 7 milhões.

Documento

Segundo o Ministério Público Federa, ‘Maria Zuely relata em ligação para Sandro que Marco Antonio e a prefeita teriam muitas fontes de renda, pois “pegariam daqui e dali” – dando a entender que o caso aqui não é isolado’.

Às 17h52, de 2 de agosto deste ano, Zuely liga para Sandro e ‘afirma que estava no Henrique, que é o moço que controla as coisas’. Sandro afirma, segundo transcrição da Promotoria de Sâo Paulo, que ‘Henrique’ relatou ‘que no mês que vem estava certo’.

“Zuely afirma que não sabe, que a folha está alta demais: 68 milhões. Zuely diz que está precisando, que está gastando, que está mexendo com o negócio lá, implantando o negócio dela… que tem que pagar as coisas…Zuely afirma “Ele (Marco Antonio) tem um tanto de fonte de renda, né… Ela também, pega daqui, pega dali… eu tenho meus compromissos”. Zuely afirma que após acabar de mexer o que está mexendo não precisará mais desse dinheiro ali, pois está se preparando para se o outro governo que ganhar parar de pagar”, indica a transcrição da Sevandija.

Dárcy foi presa a pedido do Procurador-Geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio. Além da prisão preventiva, o Ministério Público também requereu a decretação da indisponibilidade dos bens da prefeita, o que foi também foi autorizado pelo desembargador Marcos Correa, da 6ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça, relator do caso. O Tribunal de Justiça de São Paulo é a instância responsável por julgar prefeitos.

Além da prefeita, foram presos na sexta Maria Zuely Librandi, Sandro Rovani e Marco Antônio Santos.

Planilhas e apontamentos de combinação para o pagamento de propinas foram encontrados na fase anterior da operação e, graças a um acordo de delação premiada de um dos envolvidos o esquema de falsificação de documentos para justificar a transferência dos honorário teria sido comprovado.

COM A PALAVRA, A ADVOGADA MARIA CLÁUDIA SEIXAS

A advogada Maria Cláudia de Seixas, que defende a prefeita de Ribeirão Preto, afirmou que Dárcy Vera ‘tem certeza da não culpabilidade nessa situação e tem como provar isso’.

Segundo a advogada, que acompanhou o momento da detenção de Dárcy em sua residência, a prefeita afastada “está segura e pediu a familiares que ficassem calmos com o que acontecia”, disse. “Ela (Dárcy) teve todos os direitos preservados pela Polícia Federal e Ministério Público”, salientou Maria Cláudia.

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