É temerário diretor da PF emitir opinião pessoal sobre investigação, afirmam peritos federais

É temerário diretor da PF emitir opinião pessoal sobre investigação, afirmam peritos federais

Associação que representa 1.400 peritos criminais federais critica declaração de Fernando Segovia sobre arquivamento do inquérito em que o presidente Michel Temer é investigado por supostas irregularidades na edição do decreto dos Portos

Fabio Serapião e Julia Affonso

10 Fevereiro 2018 | 11h41

Da esquerda para a direita: Fernando Segovia, Torquato Jardim e Michel Temer. Presidente da Republica Michel Temer (PMDB SP) participa da Solenidade de Transmissão do Cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal ao Delegado Fernando Queiroz Segovia Oliveira no Palacio do Planalto. Presentes tambem o Ministro da Justiça Torquato Jardim, o presidente do Senado Eunicio Oliveira (PMDB CE) e o agora ex-diretor Leandro Daiello. FOTO DIDA SAMPAIO/ESTADAO

A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) divulgou uma nota oficial neste sábado, 10, em que critica a declaração do diretor-geral da Polícia Federal Fernando Segovia sobre o inquérito dos Portos. Em entrevista a agência Reuters, Segovia afirmou que a tendência é o arquivamento da investigação contra o presidente Michel Temer. De acordo com o chefão da PF, até o momento, não foram angariadas provas sobre o pagamento de propina por parte da empresa Rodrimar para Temer.

“É sempre temerário que a direção-geral emita opiniões pessoais sobre investigações nas quais não está diretamente envolvida”, diz a nota assinada pelo presidente da associação Marcos Camargo.

A APCF representa 1.400 peritos criminais responsáveis pela produção de laudos técnicos utilizados como provas nas investigações e processos em que a PF atua.


Para os peritos, a PF trabalha com independência e, portanto, ” as eventuais declarações à imprensa não afetarão a rotina dos colegas dedicados à apuração citada pelo diretor”.

“Entre os elementos que garantem a isonomia da PF estão os laudos produzidos pela perícia criminal federal, que é uma carreira submetida, por força de lei, à necessidade de agir com equidistância das partes. Os laudos garantem a sustentação científica da investigação e do processo criminal”, concluiu a nota da APCF.