‘É preciso pensar’, diz Batochio, defensor de Lula

‘É preciso pensar’, diz Batochio, defensor de Lula

Criminalista que tentou estratégia final no julgamento do Supremo declara que defesa vai analisar todos os votos dos ministros 'para se inteirar primeiro'

Breno Pires, Amanda Pupo, Rafael Moraes Moura, Teo Cury e Julia Lindner/BRASÍLIA

05 Abril 2018 | 01h46

Advogado José Roberto Batochio em Porto Alegre. Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

O abatimento tomou conta dos advogados e dos aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da rejeição dos pedidos da defesa em busca de retardar o cumprimento da pena de 12 anos e 1 mês de prisão. “Enterrou-se uma garantia fundamental”, afirmou o advogado do petista e ex-ministro do Supremo Sepúlveda Pertence.

“Curiosamente, não só os cinco votos concederam a ordem, mais o que negou, concordam que a garantia deveria prevalecer”, acrescentou. “Se reconhece a mudança de entendimento”, disse, em tom de lamento.

O comentário expõe o inconformismo da com que foi visto como incoerência no placar. Embora a ministra Rosa Weber tenha votado pela rejeição do habeas corpus de Lula, afirmando que é a favor do respeito à jurisprudência definida em 2016 e do princípio da colegialidade, ela indicou que poderá ter voto no sentido contrário, de acordo com a consciência pessoal, num eventual julgamento das duas ações mais amplas que contestam a prisão em segunda instância para todos os casos.

Entre os ministros, também houve insatisfação com o fato de que, por decisão da ministra Cármen Lúcia, não foram julgadas as ações gerais, mas, sim, o pedido específico de Lula, que encerrará as discussões sobre se é cabível ou não a prisão de condenados em segunda instância.

Sobre estratégias, o advogado Sepúlveda Pertence disse que iria discutir com o conjunto de advogados de três escritórios que defendem Lula. “Vamos ver. Não sou o único defensor”, disse.

Outros dois advogados disseram que não era momento de emitir comentários.

“A defesa pretende se inteirar primeiro, ver os votos. É preciso pensar”, disse José Roberto Batochio, criminalista que arriscou estratégia final, já no início da madrugada desta quinta-feira, 5, quando requereu à ministra Cármen Lúcia que não votasse, para prevalecer empate de 5 a 5, o que iria beneficiar o ex-presidente.

“A gente não vai comentar. Vamos pensar, refletir depois”, disse o advogado Cristiano Zanin Martins, que também integra o núcleo de defesa de Lula.