‘E para mim? O que tem?’

‘E para mim? O que tem?’

Na denúncia contra Michel Temer por corrupção passiva, procurador-geral da República cita que executivos da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, descreveram 'a relação espúria mantida entre o grupo J&F e o presidente' e transcreve frase atribuída ao peemedebista

Fábio Serapião e Breno Pires, de Brasília, e Luiz Vassallo

26 Junho 2017 | 21h44

Michel Temer. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Na denúncia contra Michel Temer por corrupção passiva o procurador-geral da República Rodrigo Janot transcreve uma frase atribuída ao presidente pelo executivo da J&F Ricardo Saud. “E para mim? O que tem?”, disse Temer, segundo o executivo, durante reunião na casa do presidente em São Paulo, em 2014.

Janot destaca que Saud e o principal acionista da JBS Joesley Batista ‘descreveram a relação espúria mantida entre o grupo J&F e o presidente Michel Temer nos últimos anos’.

“Ele detalha que, em 2015, Temer interveio junto ao presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), quando esta embargou a obra da Eldorado de construção de terminal de cargas no Porto de Santos”, segue Janot.

Na denúncia, o procurador acrescenta que Saud afirmou também ter assistido a um jogo da Copa do Mundo na casa do presidente, em São Paulo, ‘encontro no qual levou bilhete de Joesley sobre os valores discutidos com senadores (Eduardo Braga, Vital do Rego, Eunício Oliveira, Jader Barbalho, Renan Calheiros e Katia Abreu) para apoiar o PT na campanha presidencial de 2014’.

Segundo Saud, Temer indignou-se com a situação, afirmando que o PMDB tinha que passar por ele e questionando “e para mim? O que tem?”

“Em 18 agosto de 2014, Michel Temer voltou a encontrar com Ricardo Saud, afirmando que lhe tinha sido destinado o valor de R$ 15 milhões, dinheiro esse que era resultado da propina dos contratos com o BNDES e com fundos de pensão”, assinala a Procuradoria.

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