Dra. Luzia

Dra. Luzia

Startup brasileira é destaque em Inteligência Artificial com a criação de uma robô advogada apresentada ao mundo no I Congresso Internacional de Direito e Tecnologia; ela atua com uma velocidade incomum e pode ser um grande reforço para abrir o gargalo forense com mais de 100 milhões de ações judiciais

Fabio Serapião/BRASÍLIA

18 Maio 2018 | 03h30

Foto: Reprodução

Uma empresa brasileira foi selecionada entre 16 companhias em todo o mundo como um dos principais empreendimentos de inteligência artificial pelo programa AI Builders, da gigante de tecnologia Intel. Fundada há menos de dois anos, a Legal Labs, sediada em Brasília, constrói redes neurais artificiais para entender e tomar decisões no campo jurídico.

A criação da robô advogada ‘Dra. Luzia’ foi destaque no I Congresso Internacional de Direito e Tecnologia.

Ela atua com uma velocidade incomum e pode ser um grande reforço para abrir o gargalo forense com mais de 100 milhões de ações judiciais.

‘Dra. Luzia’ foi apresentada no berço das tendências tecnológicas no Direito: Starford University.

A primeira fase do trabalho consistiu na criação e instalação de ‘Dra. Luzia’ em clientes que tinham grande volume de processos.

No Brasil, o estoque gira em torno de 100 milhões a 110 milhões de processos em andamento.

‘Dra. Luzia’ foi alojada em uma Procuradoria de Estado, onde o estoque alcança mais de 300 mil processos.

Antes, os servidores processavam cerca de mil petições por semana em 4 dias úteis.

Agora, 68% dessa quantidade são processados em 1m56s, em média, e com precisão de 99,48%.
O reconhecimento internacional surpreendeu o professor Ricardo Fernandes, fundador da Legal Labs, que viu sua empresa listada junto às gigantes internacionais como Lenovo, com faturamento de US$ 43 bilhões em 2017, e Accenture, faturamento de US$ 35 bilhões.

“É a tecnologia nacional valorizada e incentivada fora do país, demonstramos que podemos dar um bom exemplo de sucesso em inovação”, afirma Fernandes.

O professor destaca que o primeiro projeto realizado pela empresa em 2017 foi exatamente a criação da primeira robô advogada do país.

Desenvolvida com seis camadas de redes neurais artificiais, ‘dra. Luzia’ trabalha com deep learning – aprendizado profundo de máquina – aplicada às execuções fiscais.

Seus indicadores demonstram o quanto a inteligência artificial pode ajudar os profissionais que trabalham com uma quantidade estupenda de processos judiciais.

Antes, 3 a 4 pessoas levavam 4 dias úteis para dar fluxo a 500 e até 1000 petições. ‘Dra. Luzia’ processa e gera em um período relâmpago – um minuto e 52 segundos – cerca de 68% do volume total de trabalho. “A acurácia é de 99,42%, o que demonstra sua precisão e eficácia”, avalia Fernandes.

ESTADÃO: Como ‘dra. Luzia’ trabalha?

PROFESSOR RICARDO FERNANDES: A primeira fase do trabalho foi instalar a robô advogada em clientes com grande volume de processos. No Brasil, o estoque é de 100 a 110 milhões de processos em tramitação. Ela foi instalada em uma Procuradoria de Estado, cujo volume alcança mais de 300 mil processos. Por isso, gerou resultados. Antes, de três a quatro servidores processavam cerca de 1000 petições por semana em 4 dias úteis; agora 68% dessa quantidade é processada em 1m56s em média, e com acurácia de 99,48%.

ESTADÃO: Qual foi o resultado imediato?

RICARDO FERNANDES: Percebemos que isso não aumentou a velocidade de tramitação dos processos, já que o gargalo passa a ser o congestionamento judicial dos processos. Por isso, mudamos o posicionamento da empresa para atuar no Judiciário. Estamos treinando as redes neurais da ‘Dra. Luzia’ para aprender a ler as petições e fornecer aos juízes o apoio à decisão deles. E já estamos obtendo alguns resultados em tribunais. Por ter um volume gigantesco de processos e, portanto, de dados, a tecnologia de IA é capaz de gerar grandes resultados em todo o Brasil.

ESTADÃO: O próximo passo?

RICARDO FERNANDES: Se a Justiça for mais rápida, se torna mais eficaz. Um trabalho que já estamos fazendo para um Tribunal de Justiça será capaz de tratar 7 milhões de execuções fiscais, descongestionando a tramitação de milhões de outros processos que são prejudicados.

ESTADÃO: As petições de ‘Dra. Luzia’ não contêm erros?

RICARDO FERNANDES: Sempre tem um filtro humano, pois como há diferença na linguagem natural, como as pessoas escrevem, podem ser necessárias correções. As redes neurais precisam ser entregues em cada cliente sempre bem treinadas para ter taxa de erro bem baixa, ou seja, para não errar ou errar bem pouco.

ESTADÃO: Qual o valor investido no projeto?

RICARDO FERNANDES: Isso varia em relação a cada projeto. A empresa, no entanto, tem previsão de faturamento de R$ 3 milhões.

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