Doria nomeia procurador do município para o lugar de Denise no Ilume

Paulo Nanini substituirá Denise Abreu, que foi flagrada em gravação na qual menciona suposta propina na PPP da Iluminação, contrato de R$ 6,9 bilhões da Prefeitura

Luiz Vassallo

21 Março 2018 | 17h27

Apenas algumas horas depois de exonerar Denise Abreu o prefeito João Doria indicou o procurador municipal Paulo Nanini nesta quarta-feira, 21, como novo diretor do Departamento de Iluminação Pública (Ilume). Ele assumirá o Ilume após áudio flagrar sua antecessora mencionando supostas propinas na PPP da Iluminação, contrato de R$ 6,9 bilhões da Prefeitura.

A nomeação de Nanini pelo secretário Marcos Penido (Serviços e Obras) será publicada no Diário Oficial da Cidade desta quinta-feira (22). O novo diretor é procurador municipal há 20 anos e ocupou as assessorias jurídicas das secretarias da Saúde, Habitação, Serviços e Cultura. Seu último cargo foi como superintendente do Serviço Funerário do Município de São Paulo.

O prefeito João Doria também determinou investigação a respeito do caso pela Controladoria Geral do Município e afirmou que a Prefeitura vai colaborar com os trabalhos do Ministério Público, que investiga o caso.

Exonerada nesta quarta-feira, 21, Denise menciona, em áudio de conversa com uma secretária do departamento, que seria o ‘último mês’ de pagamento porque a empresa não teria ‘mais contrato’.

“Eu vou te dar os seus três .. Mas a empresa [FM Rodrigues] não tem mais contrato e eu não vou ter como arcar daqui pra frente com isso. É o último mês. Simplesmente não tem como”

A Prefeitura assinou no último dia o contrato com o Consórcio FM Rodrigues/CLD, vencedor da Parceria Público-Privada (PPP) da Iluminação Pública.

A empresa deverá assumir programa de modernização do parque de iluminação da capital paulista em uma concessão de 20 anos.

A concorrente da FM Rodrigues era o consórcio Walks, integrado pela WPR Participações – do grupo WTorre -, a Quaatro e a KS Brasil Led Holdings.

A proposta da Walks foi de R$ 23,25 milhões por mês, ante R$ 30,158 milhões ofertados pelo concorrente FM Rodrigues.

Diversas batalhas judiciais foram travadas entre as concorrentes e a Prefeitura excluiu a Walks do certame por considerar que uma das empresas do consórcio é controladora da Alumini, empresa declarada inidônea pela Controladoria-Geral da União.

No áudio, gravado antes do resultado da licitação, a diretora da Ilume, Denise Abreu, afirma ser um ‘escândalo’ a possibilidade de a WTorre – do consórcio Walks – vencer a licitação, e se diz ‘inimiga da empresa’.

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