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LéO PINHEIRO

Dono da OAS admite fazer delação premiada

Um dos empresários mais próximos do ex-presidente Lula, Léo Pinheiro teme ser preso novamente. Ele contaria detalhes sobre obras feitas em dois imóveis para a família do petista

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Andreza Matais, Fábio Fabrini e Fausto Macedo

02 Março 2016 | 13h38

Ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro. FOTO: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro. FOTO: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O empresário José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, dono da empreiteira OAS, admitiu a pessoas próximas fechar um acordo de delação premiada com investigadores da Procuradoria-Geral da República responsáveis pela Operação Lava Jato.

Um dos empresários mais próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Léo Pinheiro deve contar, numa eventual colaboração, detalhes sobre o esquema de corrupção na Petrobrás e sobre obras feitas pela empreiteira em imóveis de Atibaia (SP) e do Guarujá (SP) para a família do petista.

O acordo com os investigadores ainda não foi formalizado, segundo interlocutores do empresário ouvidos pelo Estado, mas voltou ao radar do empreiteiro depois que o Supremo Tribunal Federal, em novo entendimento, autorizou a execução de penas de prisão após a confirmação de sentenças em segunda instância – antes, isso ocorria com o esgotamento de todos os recursos da defesa.

Outro fator levado em consideração foi a apreensão, pela Polícia Federal, de mensagens de texto de celular trocadas por Léo Pinheiro com outros executivos e políticos. A avaliação é de que o material pode comprometê-lo ainda mais na Operação Lava Jato, fundamentando novo decreto de prisão.

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Léo Pinheiro foi condenado a 16 anos e quatro meses de prisão por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás e aguarda decisão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) a respeito. A corte tem confirmado decisões tomadas pelo juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato na 1.ª instância.

Léo Pinheiro foi preso preventivamente na Lava Jato em novembro de 2014, juntamente com outros empreiteiros do País. Ele chegou a cogitar delação premiada, mas foi solto no ano passado, por ordem do Supremo Tribunal Federal, sem concretizar a colaboração, o que agora volta a avaliar. Eventual colaboração deve incluir outros executivos da OAS.

Apurações. Em Curitiba, base da Lava Jato na 1.ª instância, procuradores não comentam negociações em andamento. A possibilidade de um acordo com Léo Pinheiro é considerada importante nas investigações envolvendo imóveis ligados a Lula.

Apesar de sondagens das defesas, investigadores não abrem mão da entrega de novas provas sobre suposta lavagem de dinheiro por meio da compra e reforma do sítio Santa Bárbara e do tríplex 164-A no Guarujá. / COLABOROU RICARDO BRANDT

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