Doleiro envolvido no caso Banestado é preso quase uma década depois da denúncia do MPF

Mateus Coutinho

11 Dezembro 2013 | 17h41

Paulo Roberto Krug foi condenado a 4 anos e 9 meses de prisão em regime semiaberto por remeter dólares ilegalmente ao exterior utilizando conta bancária em paraíso fiscal

por Mateus Coutinho

Quase 10 anos após ser acusado pelo Ministério Público Federal por envolvimento no caso do Banestado, escândalo da evasão de US$ 30 bilhões nos anos 1990 durante a privatização do Banco do Estado do Paraná, o doleiro Paulo Roberto Krug foi preso no dia 3 de dezembro, conforme divulgou o site do MPF.

Krug é acusado pelo MPF no Paraná de realizar uma série de operações conhecidas como dólar cabo, que é a transferência eletrônica de dólares sem comunicação ao Banco Central ou declaração à Receita Federal. Segundo o MPF, ele realizava as operações por meio de uma conta mantida no exterior em nome de uma empresa offshore com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, a Tallmann Finance Corporation.


O caso veio à tona em 2003 durante as investigações de doleiros no Brasil pela Força Tarefa CC5 do caso Banestado, uma equipe formada de procuradores da República e delegados de Polícia Federal para apurar o esquema. O MPF protocolou a denúncia em 2004.

Embora a sentença condenando o doleiro tenha saído em 2005, ele só começou a cumprir pena de 4 anos, 9 meses e 18 dias em regime semiaberto neste mês após o Superior Tribunal de Justiça entender que houve “abuso no direito de recorrer”.

Para o procurador da República Deltan Martinazzo Dallagnol, que atuou no caso, a ineficiência em na Justiça Penal é extremamente prejudicial. “Poderíamos ter perdido esse caso pelo decurso do tempo, caso o réu tivesse conseguido levá-lo ao Supremo Tribunal Federal. Pode-se dizer que a sociedade deve comemorar quando consegue alguma efetividade em casos criminais contra réus abastados em um sistema tão moroso.”

Diante do caso, Dallagnol lembra ainda que o maior prejuízo causado pela ineficiência da Justiça é a prescrição de crimes, principalmente os de colarinho branco. Como informou o Estado em abril, as ações do caso Banestado geraram a abertura de milhares de inquéritos em todo País, com um total de 631 pessoas denunciadas.

Muitas dessas denúncias, contudo, acabaram prescrevendo. Em março, por exemplo, uma decisão do STJ extinguiu as penas prescritas de 7 dos 14 ex-dirigentes da instituição que haviam sido condenados pela remessa fraudulenta de R$ 2,4 bilhões ao exterior nos anos 90.