Doleiro da Lava Jato confirma que ‘Planalto sabia’ do esquema de corrupção na Petrobrás

Doleiro da Lava Jato confirma que ‘Planalto sabia’ do esquema de corrupção na Petrobrás

À CPI da Petrobrás, em Curitiba, Alberto Youssef cita ex-ministros do governo Dilma - Idelli Salvatti (Secretaria de Relações Institucionais) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência); "Agora, provas eu não tenho", disse ele

Redação

11 Maio 2015 | 10h47

Youssef em depoimento à CPI da Petrobrás. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Youssef em depoimento à CPI da Petrobrás. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Atualizada às 14h15

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O doleiro Alberto Youssef, peça central da Operação Lava Jato, confirmou em depoimento à CPI da Petrobrás, na manhã desta segunda-feira, 11, em Curitiba, que o Planalto sabia do esquema de corrupção na estatal e citou os nomes de dois ex-ministros do governo Dilma Rousseff (PT) – Idelli Salvatti (Relações Institucionais) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência).


“Lembro que foi conversado com Idelli Salvatti e com secretário Gilberto Carvalho”, afirmou Youssef, ouvido pela primeira vez pela CPI, que se instalou em Curitiba, base da Lava Jato.

Perguntado pelo deputado federal Bruno Covas (PSDB-SP) se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff e os ex-ministros Antonio Palocci, Gleisi Hoffmann, José Dirceu, Ideli Salvatti, Gilberto Carvalho e Edison Lobão tinham conhecimento do esquema, o doleiro disse que “na opinião dele, sim”. O ex-presidente não vai se manifestar sobre o relato do doleiro.

Indagado então sobre o que o leva a acreditar que o ‘Planalto sabia’ do esquema de corrupção na Petrobrás, o doleiro disse: “Primeiro, que eu escutava isso do dr. Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás) quando sempre havia uma discussão interna do partido dele (PP). Depois, o Paulo Bernardo, quando ministro fez pedido ao Paulo Roberto Costa para que eu entregasse R$ 1 milhão para (a campanha) Gleisi (Hoffmann, mulher de Bernardo). E a questão da Muranno (agência de publicidade), que foi resolvida a pedido do presidente (da Petrobrás) GabriellI. A opinião é minha, é meu sentimento. Agora, provas eu não tenho.”

Segundo o doleiro, “em 2012 ou 2011, já no segundo semestre, houve um racha entre os membros do Partido Progressista e isso foi motivo de discussão dos líderes com a Casa Civil, com o secretário Geral da Presidência da República, com doutor Paulo Roberto Costa, inclusive no caso houve a queda do Nelson Meurer e o Arthur de Lira assumiu a liderança do partido.”

“Esse assunto o Paulo Roberto deixou claro ao líder Nelson Meurer e ao presidente do partido, hoje Ciro Nogueira, e esse assunto teria que chegar a ele através do Palácio, a quem ele ia se reportar. Isso eu escutei dele por várias vezes”, declarou o doleiro.

Um dos parlamentares da CPI da Petrobrás questionou o doleiro. “Então, era o Palácio que reportava a Paulo Roberto a quem ele tinha que conversar?”

Youssef respondeu: “A interlocução sempre foi José Janene, depois passou a ser Mario Negromonte (ex-ministro das Cidades, governo Dilma Rousseff), Nelson Meurer. E, em determinado momento, houve racha no partido e essa situação foi parar no Palácio e o Paulo deixou claro para o Nelson Meurer que quem tinha que indicar o novo interlocutor seria o Palácio.”

E o Palácio indicou esse interlocutor?, insistiu o deputado. “Foi trocado, na época, a liderança e a outra parte passou a ter os seus recebimentos com a liderança deles.”

O Palácio era quem? O sr. disse Gilberto Carvalho e Idelli Salvati?” “Lembro que foi conversado com Idelli Salvati e com o secretário Gilberto Carvalho.”

Integrantes da CPI da Petrobrás desembarcaram em Curitiba para ouvir os depoimentos de 13 acusados de envolvimento no esquema de cartel e corrupção na Petrobrás, que estão presos. Entre eles os ex-deputados André Vargas (ex-PT, hoje sem partido), Pedro Corrêa (PP) e Luiz Argolo (ex-PP, hoje no SD). Youssef é o primeiro a ser ouvido nesta manhã de segunda-feira, por um grupo de 14 deputados federais da comissão, que tem audiências marcadas até amanhã.

Estão marcados para hoje os depoimentos do ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró e do lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano ligados ao PMDB no esquema de loteamento político na estatal, que envolvia ainda PT e PP. de Mário Góes, de Guilherme Esteves e de Adir Assad, outros três lobistas acusados de operarem propina na Diretoria de Serviços – que era cota do PT – também estão nessa lista.

Amanhã serão ouvidos os depoimentos dos ex-deputados. Eles estão na carceragem do Centro Médico Prisional, na Região Metropolitana de Curitiba. Os interrogatórios serão realizados no auditório da Justiça Federal, em Curitiba. Um grupo de 14 deputados já estão na capital paranaense para início dos interrogatórios.

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