Doleiro cita R$ 75 mi em propinas em contratos da Odebrecht e OAS que MPF relaciona a obras do sítio

Doleiro cita R$ 75 mi em propinas em contratos da Odebrecht e OAS que MPF relaciona a obras do sítio

Alberto Youssef foi ouvido por Moro e confirmou acertos e recebimento de valores destinados à Diretoria de Abastecimento e ao PP em negócios da estatal de duas empreiteiras acusadas de fazerem obras de R$ 1 milhão em propriedade rural atribuída a ex-presidente

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Luiz Vassallo

16 Fevereiro 2018 | 19h01

O doleiro Alberto Youssef confirmou nesta sexta-feira, 16, ao juiz federal Sérgio Moro ter conhecimento do pagamento de cerca de R$ 75 milhões em propinas pela Odebrecht e OAS, em contratos de obras da Petrobrás alvos de cartel e que o Ministério Público Federal acusa terem relação com a corrupção nas obras do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). Para a Operação Lava Jato, o imóvel é do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nega ser o dono.

Youssef foi ouvido como testemunha na ação penal do sítio de Atibaia, em que Lula é réu, em Curitiba, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Além do petista são réus o advogado e compadre Roberto Teixeira e outras 11 pessoas.

+ Compadre de Lula quer ser excluído de ação sobre o sítio de Atibaia

Duas das maiores empreiteiras do cartel que fatiava obras na Petrobrás, Odebrecht e OAS são as responsáveis pela reforma de mais de R$ 1 milhão do sítio de Atibaia, segundo o processo, terceiro aberto contra o petista em Curitiba. O imóvel foi comprado no final de 2010, quando Lula deixava a Presidência, e está registrado em nome de dois sócios dos filhos, Fernando Bittar – caçula do ex-prefeito petista de Campinas Jacó Bittar – e Jonas Suassuna.

As obras citadas pelo doleiro são do pacote de construção da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em que as duas empreiteiras participaram em consórcios.

“A questão da OAS e Odebrecht eu negociei com eles a questão do Rnest pela obra que eles fizeram, e parte foi pago pela Odebrecht em dinheiro e a OAS pagou emitindo notas fiscais contra MO, Rigidez, salvo engano”, afirmou o doleiro, ao ser questionado pela procuradora da República Jerusa Burmann Viecili. A MO e a Rigidez eram empresas de fachada do doleiro.

“Ambas as consorciadas tinham conhecimentos dos pagamentos de propina?”, questionou a procuradora.

“Sim.”

Na Abreu e Lima, as empreiteiras formaram o Consórcio RNEST-CONEST, contratado pela Petrobrás para a implantação da execução das unidades de tratamento UHDT e UGH e para a execução das unidades de UDA.

Os contratos também integraram a acusação do processo do caso triplex do Guarujá, em que Lula foi condenado por Moro em 12 de julho de 2017 e teve a pena aumenta em segunda instância no dia 24 de janeiro no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), em Porto Alegre. O ex-presidente foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão.

“No depoimento anterior, na outra ação penal (do triplex), o senhor disse que com relação a essa obra as propinas entre a OAS e Odebrecht alcançaram algo em torno de R$ 30 milhões, o senhor confirma?”, questionou a procuradora da Lava Jato.

“Confirmo”, respondeu Youssef.

O doleiro disse também que houve pagamento de propinas pela Odebrecht obra do Pipe Reck do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que envolve a Odebrecht, Mendes Junior e UTC. Nesse caso ele citou propina de “1% do valor do contrato”.

“Quantia aproximada de R$ 18 milhões, acabou ficando por R$ 15 milhões. Não lembro direito o valor do contrato, mas era mais ou menos isso.”

Também no Comperj, Youssef confirmou pagamento de propinas pelo Consórcio TUC, formado pela Toyo, Odebrecht e UTC para execução das obras das Unidades de Geração de Vapor e Energia, Tratamento de Água e Efluentes. “Acho que essa obra era R$ 3 bilhões. Era coisa de R$ 30 milhões (de propina), salvo engano.”

Em ambos os negócios do complexo petroquímico o doleiro disse que tratou diretamente