Discussão com motorista antecedeu tiros no acampamento pró-Lula em Curitiba

Jeferson de Menezes, atingido por disparo, e outras testemunhas relataram à Polícia Civil, em inquérito que procura atirador, que motorista xingou acampados e foi repelido com fogos e pedras minutos antes do crime

Luiz Vassallo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

03 Maio 2018 | 20h10

Manifestantes pró-Lula na PF, em Curitiba. Foto: THEO MARQUES/FRAMEPHOTO

Baleado no acampamento Marisa Letícia, o sindicalista Jeferson Lima de Menezes, de 39 anos, relatou à Polícia Civil nesta quinta-feira, 3, que uma discussão antecedeu os disparos que o atingiram de raspão no pescoço. Integrante do movimento que pede a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acampados no entorno da sede da Polícia Federal, em Curitiba, a vítima foi ouvida no inquérito que apura quem foi o autor dos tiros contra o acampamento.

Presidente do Sindicato dos Motoboys do ABC, Menezes fazia parte do grupo de segurança do acampamento, hoje com menos de 100 pessoas, montado há quase um quilômetro da PF – onde Lula cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão, no caso triplex do Guarujá. Menezes foi a única vítima dos tiros disparados na madrugada do sábado 28 contra o acampamento.

À polícia paranaense, ele relatou que ouviu uma discussão. Um homem em um carro teria passado e xingado os integrantes do acampamento.

“Na frente do acampamento estavam os mesmos quatro rapazes, que novamente relataram ao declarante que o veículo que havia passado anteriormente havia retornado e novamente hostilizado as pessoas do acampamento com xingamentos”, registra a Polícia Civil.

A vítima detalhou que no momento dos disparos, o atirador jogou o que parecia ser um cigarro no chão, antes de mirar em direção ao acampamento. Relatou ainda que ele teria recarregado a arma e atirado novamente.

“O declarante se dirigiu mais a frente descendo o desnível que existe entre o acampamento e a calçada neste momento alertou o declarante para que prestasse atenção em um indivíduo que estava na diagonal do outro lado da rua o indivíduo jogou o que parecia ser um cigarro na rua e já passou a efetuar os disparos. Que em dado momento, o atirados recuou, recarregou a pistola e voltou a atirar.”

Acampamento Marisa Letícia. Foto: Claudio Kbene/PT

O atirador estaria há uma distância de 50 metros, relatou a vítima. O atirador foi descrito como um homem branco, que vestia moletom e um capuz ou boné na cabeça.

No depoimento, Menezes disse que já foi processado por homicídio e posse ilegal de arma, mas teria sido absolvido, e por lesão corporal, tendo sido condenado a pagar multa.

A vítima ficou internada até terça-feira, 1, mas teve alta. O depoimento começou por volta das 10h30 e terminou às 13h30.

Pedra. Além do atingido pelos disparos de pistola 9mm, a polícia ouviu 11 testemunhas no inquérito. Uma delas, um integrante do acampamento que estava com Menezes. Ele detalhou a confusão com o homem não identificado no carro, antes dos tiros. Na sua versão, uma pessoa que passou xingando. Os manifestantes teriam soltado fogos e pedras contra o veículo.

O motorista teria parado o carro dito que voltaria para matar, segundo o relato da testemunha. Os disparos ocorreram minutos depois, vindos de um homem que chegou à pé ao acampamento. A ação foi filmada por câmeras de segurança.