Diretores da Odebrecht silenciam na PF sobre ‘departamento de propinas’

Diretores da Odebrecht silenciam na PF sobre ‘departamento de propinas’

Executivos foram intimados para depor no inquérito sobre setor que distribuía valores ilícitos, mas alegaram que iriam se calar porque a empreiteira manifestou interesse de colaborar com a força-tarefa da Lava Jato

Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

20 Maio 2016 | 05h00

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Jf Diório/ Estadão

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Jf Diório/ Estadão

Os diretores da Odebrecht Antonio Roberto Gavioli (Odebrecht Infraestrutura) e Antonio Carlos Daiha Blando (Odebrecht Infraestrutura para África e Portugal) silenciaram diante da Polícia Federal. Os dois foram intimados para depor na quarta-feira, 18, no inquérito que apura a extensão do “departamento de propinas” da empreiteira, revelado na 26ª fase da Lava Jato, denominada Xepa.

Ambos alegaram que iriam exercer o direito ao silêncio diante da notícia de que a empreiteira manifestou o interesse em colaborar com a força-tarefa da Lava Jato.

Desde que a operação avançou sobre o setor de propinas e uma ex-funcionária da Odebrecht, Maria Lúcia Guimarães Tavares, revelou a existência de um departamento de ilícitos, a empreiteira anunciou que iria fazer a ‘colaboração definitiva’.


Desde então procuradores da República de Curitiba, base da Lava Jato, e do Grupo de Trabalho da Procuradoria-Geral da República têm se reunido com executivos da empresa para negociar os termos da colaboração da maior empreiteira do País. Mas as conversas não avançam.

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O inquérito contra o setor de propinas já rendeu uma ação contra o empresário Marcelo Bahia Odebrecht e outros executivos do grupo e também o casal de marqueteiros que atuou nas campanhas de Dilma Rousseff (2010 e 2014) e Lula (2006), João Santana e sua mulher e sócia Mônica Moura.

Além desta acusação contudo, a força-tarefa da Lava Jato segue se debruçando sobre a complexa rede de pagamentos ilegais da empresa que envolve outros personagens e outras obras em todo o País sem relação com a Petrobrás.

Segundo o Ministério Público Federal, Marcelo Odebrecht tinha conhecimento do setor e inclusive teria atuado para desmontá-lo e proteger os funcionários das investigações.

“Há provas decorrentes de depoimentos de criminosos colaboradores conjugados com provas documentais de transferências bancárias subreptícias, inclusive das contas no exterior e de planilhas apreendidas”, escreveu o juiz federal Sérgio Moro ao aceitar a denúncia.

Casal. Na denúncia, o Ministério Público Federal aponta os repasses do setor de propinas para o casal de marqueteiros, que teriam recebido US$ 6,4 milhões no exterior de contas atribuídas à Odebrecht e R$ 23,5 milhões no Brasil.

Ao todo foram 45 pagamentos aos marqueteiros no Brasil, de 24 de outubro 2014 – ainda durante o período eleitoral -, até 22 de maio 2015, ‘o que mostra um acinte em relação à Justiça’, afirmou o coordenador da Lava Jato, procurador da República Deltan Dallagnol, ao explicar a acusação.

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