DIRETO DO SINDICATO: LULA FALA

DIRETO DO SINDICATO: LULA FALA

'Lula guerreiro do povo brasileiro', entoam manifestantes em apoio ao ex-presidente antes de celebração em homenagem à ex-primeira-dama Marisa Letícia; após dois dias confinado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, petista aparece no trio elétrico ao lado de sua sucessora Dilma

Fausto Macedo, Luiz Fernando Teixeira e Luiz Vassallo

07 Abril 2018 | 12h54

O ex-presidente reapareceu em público, neste sábado, 7, após quase dois dias entrincheirado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. Ao lado de sua sucessora, Dilma, ele subiu em um trio elétrico estacionado em frente ao sindicato, onde haverá celebração da missa por Marisa Letícia, ex-primeira-dama que morreu em fevereiro de 2017 e hoje completaria 68 anos.

Milhares de militantes e apoiadores do petista se aglomeram ao redor do trio elétrico. A expectativa é que, após a missa, Lula se entregue à Polícia Federal para cumprir a pena de 12 anos e um mês de reclusão no processo do triplex do Guarujá.

CONFIRA TRECHOS DO COMÍCIO DE LULA

Eu nasci aqui nesse sindicato. Quando eu cheguei aqui, esse sindicato era um barraco. E eu queria que esse pessoal soubesse que parte das conquistas da democracia brasileira a gente deve a esse sindicato dos metalúrgicos a partir de 1978

Esse sindicato, diferente de outros sindicatos, tem 283 diretores. E pra ser diretor, é preciso primeiro ser eleito para uma comissão pelos trabalhadores do chão de fábrica. Se tivesse mais sindicatos assim, certamente teríamos menos pelegos por aí

Em 1979 fizemos uma greve e tínhamos um bom acordo com os patrões. E 100 mil pessoas no estádio da Vila Euclides não aceitavam o acordo, que era o melhor possível. Radicalizada, a peãozada queria 83% ou nada. Não aprovaram. Durante 1 ano, fomos chamados de pelegos. No ano seguinte, 1980, fizemos a maior greve da nossa história: 41 dias.em 17 dias eu fui preso. O Tuma ia na cadeia e falava pra eu convencer os trabalhadores a acabar com a greve. Eu disse: os trabalhadores vão decidir.

Ganhamos politicamente muito mais em 1980, do que no ano anterior, quando tivemos Vitoria econômica

Mentiram no meu processo e eu digo com segurança: nenhum deles dorme com a consciência tranquila como eu durmo com a minha inocência.

Eu não posso perdoar eles, por meio da mentira, terem passado para a sociedade a ideia de que sou um ladrão. Sem provas, só com convicção.

Eu acredito na Justiça e não estou acima da lei. Mas acredito numa justiça verdadeira, baseada nos autos do processo. Não posso admitir mentiras e um PowerPoint como justiça.

O que eles não percebem é que quanto mais eles me atacam, mais fortalecem minha relação com a sociedade brasileira.

Eu já falei que aceito debate com Moro, com qualquer juiz. Quero que eles provem qualquer crime que eu cometi.

Um dia eu sonhei que era possível um metalúrgico sem diploma universitário cuidar melhor da educação do que todos os doutores que já governaram este país.

Eu sonhei que era possível levar estudantes das periferias para as melhores faculdades deste país, para que a gente não tivesse só juízes e procuradores da elite. Esse crime eu cometi. E é isso que eles não admitem.

Se o crime que eu cometi foi levar comida e educação para os pobres, eu digo que quero continuar sendo criminoso neste país.

Só tem um jeito de alguém ganhar de mim no PT: é gostar do povo mais do que eu e trabalhar mais do que eu.

Não é fácil o que eles fizeram com a Marisa, o que eles fazem com meus filhos. A imprensa e o MP adiantaram a morte da Marisa.

Não pensem que eu sou a Lava Jato, não! Se encontrarem ladrão mesmo, que peguem e prendam.

Um juiz, diferente da gente, precisa ter a cabeça fria, responsabilidade na hora de julgar.

Como presidente, eu fortaleci o MP e o Judiciário. E sempre disse: quanto mais forte a instituição, mais responsáveis precisam ser seus membros.

Quando deram o golpe na Dilma eu já dizia que o golpe não fechava com Lula eleito em 2018. Para eles, pobre não pode ter direito.

Um sonho de consumo deles é que eu não seja candidato. O outro é a foto da minha prisão. Imagino a tesão da Veja. Eles vão ter orgasmos múltiplos.

Eles querem e eu vou atender o pedido deles. E quero fazer aqui uma transferência de responsabilidade: eles acham que o problema deles é só o Lula. Eles vão descobrir que o problema são todos vocês. Minhas ideias já estão pairando no ar e não tem como prendê-las.

Não adianta eles tentarem me parar. Eu não vou parar porque não sou ser humano, sou uma ideia e estou com vocês.

Eu vou cumprir o mandado. E vocês de agora em diante não se chamam Chiquinha ou Pedrinho, vocês todos são Lula e vão andar pelo país fazendo o que precisa ser feito.

Eu não tenho mais idade para fazer outra coisa a não ser enfrentá-los olho no olho.

Quanto mais dias eles me deixarem lá, mais Lulas vão nascer neste país.

Eu vou provar a minha inocência. Façam o que quiser, os poderosos podem matar 1, 2 ou 100 rosas. Mas jamais consiguirão deter a chegada da primavera.

Nós não queremos repetir a barbaridade que fizeram com a Marielle e com a juventude negra nesse país.

Vou chegar ao delegado e dizer que estou à disposição. A história vai provar que quem cometeu o crime foi o delegado, o juiz que me acusou e o MP.

Eu sairei dessa maior, mais forte, mais verdadeiro e inocente. Eu não tenho como pagar o carinho e respeito que vocês têm me dado nos últimos anos.

Esse pescoço aqui eu não baixo. Vou de cabeça erguida e sair de peito estufado porque vou provar a minha inocência.