‘Dinheiro sujo’ do Maracanã e do PAC Favelas bancou R$ 4,5 mi em joias para Cabral e mulher, diz denúncia

‘Dinheiro sujo’ do Maracanã e do PAC Favelas bancou R$ 4,5 mi em joias para Cabral e mulher, diz denúncia

Força-tarefa da Lava Jato acusa o ex-governador do Rio pela 10ª vez; nova denúncia atribui corrupção e lavagem de dinheiro ao peemedebista, à Adriana Ancelmo e dois investigados

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

19 Junho 2017 | 16h20

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral e a mulher Adriana Ancelmo em viagem pela Europa. Foto: Reprodução/Blog do Garotinho

A força-tarefa da Operação Lava Jato, no Rio, acusa em nova denúncia formal o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), sua mulher, a advogada Adriana Ancelmo, e seus assessores Luiz Carlos Bezerra e Carlos Miranda. O Ministério Público Federal atribui a eles lavagem de dinheiro na compra de joias em espécie, sem nota fiscal ou certificação nominal.

Documento

“O dinheiro sujo era oriundo de propinas pagas por empreiteiras entre os anos de 2007 e 2014, em contratos para obras do metrô, reforma do Maracanã, PAC das Favelas e do Arco Metropolitano. O cometimento de crime de lavagem de dinheiro com a compra de joias já foi objeto de duas outras denúncias oferecidas em decorrência das denominadas operações Calicute e Eficiência”, informou a Procuradoria da República em nota nesta segunda-feira, 9.


+ Moro coloca R$ 11 mi de Adriana Ancelmo à disposição da Justiça Federal no Rio

+ Por que Moro absolveu Adriana Ancelmo

+ Sérgio Cabral condenado a 14 anos e 2 meses por corrupção e lavagem

Os acusados, por cinco vezes – nos dias 17 de setembro de 2009, 5 de abril de 2013, 14 de junho de 2013, 3 de dezembro de 2013 e 22 de agosto de 2014 –, com propósito de ocultarem ou dissimular a origem de dinheiro derivado de crimes praticados pela organização criminosa, compraram joias e pedras preciosas, avaliadas no valor total de R$ 4,5 milhões.

“A finalidade da organização criminosa era converter o dinheiro recebido a título de propina em ativo lícito e também para ocultar o real proprietário do bem. As aquisições eram feitas com o propósito indisfarçável de lavar o dinheiro sujo angariado pela organização criminosa, com pagamentos em espécie, por intermédio de terceiros, ou compensando valores de outras joias, sem emissão de notas fiscais e sem emissão de certificado nominal da joia”, explicam os procuradores da Lava Jato Leonardo Freitas, Eduardo El Hage, Rodrigo Timóteo, Rafael Barretto, Marisa Ferrari, José Augusto Vagos, Fabiana Schneider, Lauro Coelho Junior e Sérgio Pinel.

+ Sérgio Cabral diz a Moro que ‘fez tudo para alavancar economia do Rio’

+ Ex-governador do Rio nega propina e diz que comprou luxo com sobra de campanha

Segundo a denúncia, ‘para ocultar e dissimular a origem, natureza, localização, movimentação e disposição dos valores, Cabral e Adriana Ancelmo escolhiam e compravam as joias e os operadores financeiros Carlos Miranda e Carlos Bezerra entregavam o dinheiro correspondente às peças adquiridas, as quais eram vendidas invariavelmente sem a emissão de notas fiscais’.

“As aquisições eram feitas com o propósito indisfarçável de lavar o dinheiro sujo angariado pela organização criminosa, com pagamentos em espécie, por intermédio de terceiros, ou compensando valores de outras joias, sem emissão de notas fiscais e sem emissão de certificado nominal da joia”, detalha a denúncia.

A acusação é também desdobramento das Operações Calicute e Eficiência, cujo escopo foi dar continuidade ao desbaratamento da organização criminosa, articulada pelo ex-governador Sérgio Cabral, responsável pela prática de crimes de corrupção e lavagem de capitais envolvendo contratos para realização de obras públicas pelo Estado do Rio de Janeiro.

“Outras denúncias poderão ainda ser apresentadas à Justiça no desenrolar das investigações”, informa a nota da força-tarefa.