‘Dinheiro sujo com muita propina’

Leia a íntegra do depoimento da testemunha do escândalo da PPP bilionária da iluminação que derrubou a diretora do Ilume, Denise Abreu

Fábio Leite e Luiz Vassallo

28 Março 2018 | 16h07

Em depoimento aos promotores de Justiça José Carlos Blat e Letícia Ravacci, uma testemunha do escândalo da PPP bilionária da iluminação na Prefeitura de São Paulo disse que Denise Abreu, então diretora do Ilume, ‘recebia com frequência’ um representante do consórcio declarado vencedor da concorrência internacional no valor de R$ 6,9 bilhões. Os promotores mantêm sob sigilo o nome da testemunha.

Documento

“A frequência de visitas de Marcelo Rodrigues para Denise Abreu pode ser verificado na portaria do edifício Grande São Paulo, localizado na Rua Libero Badaró, 425. A declarante informa ainda que existem inúmeros e-mails em seu poder demonstrando a existência desse esquema criminoso de favorecimento da empresa FM Rodrigues no Ilume.”

“A declarante neste ato apresenta um envelope e um papel de embrulho que serviram para guardar o valor recebido pela declarante mensalmente a título de verba de gabinete no valor mensal de R$ 3.000.00 sempre entregues pessoalmente pela Denise Abreu sem a presença de testemunhas.”

Em outro trecho. “No dia 24 de novembro de 2017, a declarante se dirigiu até a doceira portuguesa Casa Matilde e se encontrou com a engenheira elétrica lotada no Ilume, Vivane Anaya Castro, que relatou a existência de um esquema que movimentava dinheiro sujo com muita propina para Denise Abreu…”

A Promotoria recomendou ao prefeito João Doria (PSDB) que suspenda a PPP bilionária da iluminação.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA

“A Prefeitura de São Paulo vai analisar a recomendação do Ministério Público. Ressalta, porém, que os serviços de iluminação pública da cidade não devem sofrer interrupção.”

Na semana passada, a administração Doria informou. “A Prefeitura de São Paulo informa que todas as ações da Comissão Especial de Licitação foram publicadas no Diário Oficial. O consórcio Walks foi excluído do certame por ser integrado pela empresa Quaatro, controladora da Alumini, que foi declarada inidônea pelo Ministério da Transparência, o que a impede da participação de licitações e/ou firmar contratos nas três esferas do governo.”

“A Prefeitura ressalta que todo o processo da PPP da Iluminação foi pautado pelo respeito à lei e à transparência.”

COM A PALAVRA, O CONSÓRCIO FM RODRIGUES
“A FM Rodrigues informa que já se colocou à disposição do Ministério Público de São Paulo para quaisquer esclarecimentos relativos à PPP da Iluminação Pública.

“O consórcio Ilumina SP vem a público esclarecer que um de seus integrantes, a empresa FM Rodrigues, não pagou, favoreceu ou beneficiou qualquer agente público ao longo do processo da PPP da Iluminação Pública da cidade de São Paulo.”

“E repudia declarações de origem questionável veiculadas pela imprensa nos últimos dias.”

“Não houve qualquer irregularidade no processo de escolha do consórcio como fornecedor da iluminação publica, processo conduzido pela secretaria de Serviços e Obras.”

“A FM Rodrigues tem 48 anos de existência e uma trajetória marcada pela ética e pela transparência no relacionamento com clientes, governo e população. Já é, inclusive, a responsável pela iluminação da cidade há mais de 18 anos, tendo passado por diferentes administrações, sem que tenha sofrido ao longo desse tempo ações judiciais referentes a eventuais irregularidades.”


COM A PALAVRA, DENISE ABREU

Em nota, também na semana passada, Denise Abreu negou que tenha praticado qualquer irregularidade. Ela afirmou que ‘vai esclarecer todas as acusações infundadas’.

Denise ressalta que não poderia interferir na PPP da Iluminação, pois ‘não teve a participação na Comissão Especial de Licitação e nem competência legal para assinar contrato’.

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