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Dilma nomeia criminalista Alberto Toron para vaga no TRE de São Paulo

Mateus Coutinho

17 abril 2014 | 16:39

Defensor do ex-deputado João Paulo Cunha no processo do Mensalão e do ex-juiz Nicolau, Toron vai ocupar vaga da classe jurista, destinada a advogados

por Ricardo Galhardo e Fausto Macedo

A presidente Dilma Rousseff nomeou nesta quarta feira, 16, o criminalista Alberto Zacharias Toron para o cargo de juiz do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. Toron, há 32 anos na advocacia, vai ocupar cadeira da classe jurista – destinada a advogados na Corte eleitoral.

Toron integrava lista tríplice do TRE paulista e passou pelo crivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que examinou os requisitos objetivos e subjetivos – notório saber jurídico e reputação ilibada.  Levada a lista ao Palácio do Planalto, ele foi o escolhido por Dilma.

O mandato de Toron é de dois anos, renovável por mais dois anos, uma única vez. Mestre e doutor em Direito Penal pela Universidade de São Paulo USP), professor da PUC/SP de Direito Penal, Toron possui curso de especialização em Direito Penal da Universidade de Salamanca e de Direito Penal Econômico da Universidade de Coimbra.

Criminalista atua há 32 anos na advocacia. Foto: Iara Morselli/Estadão

Ele foi presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes do governo Mário Covas (PSDB). Autor de vários livros, Toron defendeu ao longo de sua carreira polêmicos personagens da história recente, como o ex-deputado João Paulo Cunha (PT/SP), no processo do Mensalão, e o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, preso por desvio de dinheiro da obra do Fórum Trabalhista da Capital.

Sua nomeação será publicada no Diário Oficial e a posse administrativa no TRE paulista será marcada pelo presidente da Corte, desembargador Mathias Coltro.

Toron considera “um desafio” sua nova missão – ele vai atuar já nas próximas eleições gerais. Ele destaca que é defensor também de uma das empresas do cartel do Metrô de São Paulo. Esta semana ele conseguiu anular na Justiça uma ação penal contra uma empresa sua cliente.

“Atuei nas mais importantes operações da Polícia Federal nos últimos anos”, destaca. “Eu me orgulho do meu trabalho, vivo do meu trabalho, sou filho de imigrantes, tudo oque tenho é graças à advocacia e à Justiça do meu País.”

Sobre o fato de ter defendiido João Paulo Cunha nos autos da Ação Penal 470, Toron foi enfático: “Eu não tenho vínculo com o PT, eu tenho vinculação com a Justiça.”