Desembargador cita emissão de notas frias durante investigação ao mandar filho de Picciani para preventiva

Desembargador cita emissão de notas frias durante investigação ao mandar filho de Picciani para preventiva

Leia a íntegra da decisão de Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF2), que converteu a prisão temporária de Felipe Picciani em custódia por tempo indeterminado

Julia Affonso

25 Novembro 2017 | 05h00

Felipe Picciani, de camisa azul. Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO

Ao converter a prisão temporária do empresário Felipe Picciani, filho do presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), em preventiva, o desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF2), apontou para indícios de emissão de notas fiscais frias durante a investigação da Operação O Quinto do Ouro. Felipe foi capturado pela Polícia Federal na Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato, em 14 de novembro.

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O Quinto do Ouro, deflagrada pela Polícia Federal, perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), levou Jorge Picciani para depor em março. A operação tinha como base a delação do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) Jonas Lopes.

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As notas fiscais foram apresentadas a Abel Gomes pelo Ministério Público Federal da 2.ª Região. Os investigadores apontaram indícios de que os recibos foram emitidos ‘para interferir na apuração de crime de lavagem de ativos na aquisição subfaturada de gado bovino praticado por Jonas Lopes de Carvalho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro’.

A Procuradoria da República afirma que na ocasião em que os recibos foram emitidos a Operação O Quinto do Ouro já estava em curso perante o STJ.

“Comparem-se os valores das mercadorias nas duas notas fiscais emitidas pela Agrobilara, uma em 2015 e a outra 2017 para as mesmas mercadorias”, afirma a Procuradoria.

O Ministério Público Federal da 2.ª Região, no âmbito da Cadeia Velha, liga Felipe Picciani à lavagem de dinheiro ‘supostamente repassado ao seu pai’, por meio de empresas da família.

As transações envolveriam ‘suposta venda de gado superfaturado para geração de caixa 2 ou em valor muito superior às notas fiscais emitidas (subfaturado)’.

A suposta lavagem de dinheiro por meio de empresas da família Picciani foi delatada em depoimentos de executivos da Carioca Engenharia e também de Jonas Lopes. O ex-conselheiro relatou ter comprado gado por valores superiores àqueles registrados nas notas fiscais emitidas pela Agrobilara, controlada pelos Picciani.

“Temos ao menos dois colaboradores confirmando o envolvimento do investigado Felipe Picciani ou diretamente ou através de empresas das quais é sócio, no mesmo esquema de lavagem de dinheiro e, segundo refere o Ministério Público Federal, com notas fiscais rastreadas e identificadas no bojo da medida cautelar de quebra de sigilo bancário e fiscal”, anotou o desembargador Abel Gomes.