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Deputado do PT participou de reunião sobre transporte que terminou em prisões

Redação

21 maio 2014 | 22:39

Luiz Moura participou de encontro onde estava ladrão de bancos

Por Fernando Gallo, Julia Duailibi e Fausto Macedo

O deputado estadual Luiz Moura (PT) participou de uma reunião que foi alvo de uma operação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) em uma investigação sobre o envolvimento do PCC nos ataques a ônibus na capital paulista neste ano e da qual participaram pessoas com antecedentes criminais e um foragido da Justiça.

Moura é ligado ao secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto. Os dois fazem parte da mesma corrente no partido, a PTLM (PT de Lutas e Massas), uma das maiores da capital paulista. Nesta quarta-feira, o secretário de Comunicação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), Marcio Aith, citou a reunião da qual participou Moura em entrevista ao programa do Datena, da Band.

Ele não disse quem era o parlamentar nem a qual partido ele pertencia, mas destacou a relação com Tatto. O secretário municipal disse depois que não sabia a quem Aith se referia e que só podia responder pelos seus próprios atos.

Moura exerce seu primeiro mandato de deputado na Assembleia Legislativa de São Paulo. Nos anos 90 ele foi condenado pela Justiça do Paraná e também pela Justiça de Santa Catarina a cumprir 12 anos de prisão por assaltos a mão armada.
Moura passou mais de um ano e meio na prisão, mas fugiu. Foi beneficiado pela prescrição e apresentou-se depois para pedir reabilitação criminal. Declarou-se arrependido e alegou que cometeu os crimes porque usava drogas.

De acordo com o boletim de ocorrência número 26, de 2014, do dia 17 de março, os agentes da polícia foram até uma reunião, com 42 pessoas, além do parlamentar, na rua Flores do Piauí, 449, sede da Cooperativa Transcooper.

A polícia tinha a suspeita de que a reunião seria para acertar “condutas infracionais” relacionadas à queima dos ônibus – somente neste ano já foram 76 no município.

Entre os participantes do encontro estava Carlos Roberto Maia, o Carlinhos Alfaiate, foragido da Justiça, “conhecido ladrão de bancos dos anos 1990”, segundo a polícia.

Segundo boletim de ocorrência 26/14, os investigados que foram levados ao DEIC “disseram que a reunião seria para discutir um possível ajuste econômico financeiro entre os cooperados, bem como a implementação de diretrizes para enquadramento de um Termo de Ajustamento de Conduta fixado com o Ministério Público do Trabalho acerca de direitos dos trabalhadores vinculados ao transporte público”.

A Polícia não faz nenhuma imputação ao deputado petista, mas anotou sua presença na reunião. “Deve-se constar também que na reunião estava presente, por convite dos diretores da Cooperativa, o deputado estadual Luís Moura, que foi liberado no local.”

Estado e Prefeitura protagonizam um bate-boca sobre a ação da Polícia Militar na greve dos ônibus que atinge São Paulo. Tatto disse que a polícia agia com certa passividade. O governo paulista afirma que o papel da polícia é investigar ações criminosas envolvendo os grevistas e que policiais militares não podem dirigir os ônibus que foram colocados nas ruas impedindo a circulação dos carros.

Procurado em seu gabinete, o deputado Luiz Moura não foi encontrado.

VEJA TRECHOS  DO BOLETIM DE OCORRÊNCIA: