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OPERAçãO LAVA JATO

‘Delegado não pode desrespeitar político’, diz Lula no grampo

Em conversa gravada pela PF, ex-presidente ataca 'autonomia' da Polícia Federal, chama os investigadores de 'bando de louco' e diz que 'delegado tem que ser afastado'

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Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

22 Março 2016 | 05h00

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo da Lava Jato / Foto: Adriano Machado/Reuters

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo da Lava Jato / Foto: Adriano Machado/Reuters

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que delegados da Polícia Federal não podem “desrespeitar político”, defendeu o afastamento de autoridades da Operação Lava Jato e criticou a autonomia policial, em conversa monitorada com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

“O problema é que nós temos que fazer nos respeitar. O delegado não pode desrespeitar um político, um senador, um deputado, sabe? Não tem sentido. Um cara do Ministério Público tem que respeitar”, afirmou o ex-presidente, que teve seu telefone monitorado com autorização da Justiça Federal na Operação Aletheia – no dia 4 de março, Lula foi conduzido coercitivamente pela PF para depor.

Para a força-tarefa da Lava Jato, o diálogo mostra a intenção de o ex-presidente buscar mudanças no quadro de investigadores que conduzem a operação, missão conjunta da PF e da Procuradoria da República. Aletheia atribui a Lula e familiares deles supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As críticas de Lula atingem o coração da Polícia Federal naquilo que mais os delegados prezam: a autonomia. Eles não admitem interferência na independência da PF.  Há alguns anos, os delegados lutam na Câmara para fazer andar a PEC 412/2009, que assegura autonomia à PF.

No grampo, tornado público no dia 16, Lindbergh questiona o ex-presidente, no início do diálogo, sobre “aquelas notícias”. A Lava Jato tem elementos para apontar que Lula sabia que seria alvo. A conversa gravada aconteceu antes do dia 4 de março, quando foi deflagrada a Aletheia – 24ª fase da Lava Jato – em que o petista foi levado coercitivamente para depor e endereços dele e familiares alvo de buscas.

“Aquelas notícias todas que falaram que ia ter não houve, né?”, pergunta Lindbergh.

Lula responde: “É, mas pode ter, a gente não sabe, porque é um bando de louco”.

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Autonomia. “Você ouviu o delegado da Polícia Federal ontem dizendo que quer autonomia, que a troca de ministro é interferência política?”, perguntou Lula ao senador petista. Os dois estariam falando das críticas do delegado Carlos Eduardo Sobral, da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), que havia criticado a substituição do então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, por Wellington Silva – que acabou não assumindo.

“Esse delegado tem que tomar no c…, esse delegado tem que ser afastado para não falar merda”, ataca Lula.

“Todo mundo quer autonomia… Quem está precisando de autonomia nesse Pais é a Dilma. Que tem o Tribunal de Contas em cima dela, tem o Ministério Público em cima dela, tem a Polícia Federal em cima dela, tem a Justiça…, to certo? Todo mundo em cima da coitada e todo mundo quer autonomia, autonomia, vai tomar no c…, porra”, completa o ex-presidente.

 

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