Delegado da PF diz no Face que ‘é hora de serem presos os outros líderes, Temer, Alckmin, Aécio, etc’

Delegado da PF diz no Face que ‘é hora de serem presos os outros líderes, Temer, Alckmin, Aécio, etc’

Milton Fornazari Júnior, da Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros, argumenta que se 'só Lula ficar preso, infelizmente, tudo poderá entrar para a história como uma perseguição política'

Marcelo Godoy e Luiz Vassallo

09 Abril 2018 | 05h06

Reprodução

*Atualizado às 13h14 desta segunda-feira, 9

Ao mesmo tempo em que o avião da Polícia federal decolava para Curitiba levando preso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite deste sábado, 7, o delegado da Polícia Federal Milton Fornazari Júnior, da Delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros em São Paulo (Delecor), afirmou em sua rede social que ‘agora é hora de serem investigados, processados e presos os outros líderes de viés ideológico diverso, que se beneficiaram dos mesmos esquemas ilícitos que sempre existiram no Brasil (Temer, Alckmin, Aécio etc)’.

Diferentemente que o Estado publicou, Fornazari não é o chefe da Delecor, mas atua na Delegacia e mantém sob sua condução inquéritos sensíveis sobre corrupção e crimes financeiros. Delegado experiente, Fornazari tem em seu currículo a investigação sobre o cartel do Metrô e as fraudes no sistema metroferroviário de São Paulo.

Também foi responsável pelo inquérito que apurou supostos desvios de recursos nas obras bilionárias do Rodoanel, em São Paulo, e é especialista em cooperação internacional para identificação de lavagem de dinheiro e ocultação de valores.

Mestre em Direito Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, ele é também professor titular da Escola Superior de Polícia da Polícia Federal e da Academia Nacional de Polícia.

A mensagem do delegado, postada começa afirmando. “Lula preso. Objetivamente recebeu bens, valores, favores e doações para seu partido indevidamente por empresas que se beneficiaram da corrupção em seu governo’.

“Por isso merece a prisão”, cravou Fornazari.

O delegado conclui sua manifestação afirmando que se as investigações futuras chegarem aos outros líderes que ele elencou ‘teremos realmente evoluído muito como civilização’. “Se não acontecer e só Lula ficar preso, infelizmente, tudo poderá entrar para a história como uma perseguição política.”

COM A PALAVRA, TEMER

A reportagem fez contato com a assessoria do presidente. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, ALCKMIN

A reportagem fez contato com a assessoria do ex-governador de São Paulo. O espaço está aberto para sua manifestação.

COM A PALAVRA, AÉCIO

A reportagem fez contato com a assessoria do senador tucano. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A POLÍCIA FEDERAL

Em referência à reportagem publicada na página A10 do jornal O Estado de S. Paulo de 10/04, informamos que:

1) O delegado de Polícia Federal Milton Fornazari Jr. não é responsável pela Delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros em São Paulo, tendo exercido a chefia da delegacia de 26/10/2015 a 02/11/2016.

2) O mencionado servidor não faz parte do corpo diretivo da PF em São Paulo e tampouco é porta voz desta instituição.

3) A PF jamais se manifesta oficialmente por meio de perfis pessoais de seus servidores.

4) As declarações proferidas são de cunho exclusivamente pessoal, e contrariam o normativo interno referente a manifestações em nome da instituição, razão pela qual serão tomadas as medidas administrativo-disciplinares em relação ao caso concreto.

5) A PF reitera seu compromisso, como polícia republicana, de trabalhar de forma isenta, discreta e apartidária, nos estritos limites da lei.