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Delator terá ‘segunda chance’ com juiz Sérgio Moro

Delator terá ‘segunda chance’ com juiz Sérgio Moro

Fernando Moura, empresário ligado ao PT, admitiu ter mentido para juiz da Lava Jato ao poupar ex-ministro José Dirceu; nesta quarta, 3, ele vai depor novamente

Alberto Bombig e Ricardo Brandt

30 Janeiro 2016 | 18h00

O lobista Fernando de Moura, delator da Lava Jato, que disse ter mentido a juiz Sérgio Moro

O lobista Fernando Moura, delator da Lava Jato, que disse ter mentido a juiz Sérgio Moro

O empresário Fernando de Moura tem novo encontro marcado com o juiz federal Sérgio Moro na próxima quarta-feira, 3, em Curitiba. Ele deverá ser questionado sobre as contradições entre o depoimento prestado semana passada e o conteúdo de sua delação premiada, feita ainda em 2015.

Na última quinta-feira, 28, ele confirmou a procuradores ter mentido a Moro em interrogatório na ação penal que tem como réu o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), desdizendo o conteúdo das revelações de sua delação premiada. Em seguida, o delator disse que precisava de uma “segunda chance”.

Moura alegou ter se sentido vítima de uma “ameaça velada” em uma rua na cidade de Vinhedo, município onde reside Dirceu, no interior de São Paulo. “Um dia antes de eu vir para a audiência, eu fui trocar minha carta de motorista (…) Saí do despachante, estava na Avenida 9 de Julho uma pessoa me abordou: ‘Oi, tudo bem? Como estão seus netos no Sul’. Eu falei: ‘Estão bem, obrigado’. E o cara falou ‘dá um abraço no Léo (filho) e tchau’”, contou Moura, diante de quatro procuradores da Lava Jato e de dois de seus advogados – que deixaram a defesa do lobista.

Delação sob risco. Por causa desse encontro, ele teria decidido alterar sua versão sobre dois episódios importantes envolvendo Dirceu. Na último dia 22, Moura foi interrogado no processo em que é réu por corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobrás. Diante de Moro, deu a entender que não havia dito o que estava registrado em sua delação premiada sobre a participação do ex-ministro Dirceu na indicação de diretores na estatal e também na sugestão para que ele (Moura) deixasse o País durante o caso do mensalão (2005).

A contradição entre o conteúdo dos dois depoimentos colocou sob risco o acordo de deleção premiada de Moura, que permite, entre outras coisas, que se mantenha fora da prisão.

“Fiquei completamente transtornado com isso (a ameaça velada).” Moura disse que ocultou o fato da família e de seus defensores, até ontem, quando sua delação foi colocada sob análise. “Eu fiquei preocupado porque eles moram em uma cidade pequena, que não tem proteção nenhuma.”

Moura foi perguntado sobre a fisionomia da pessoa que supostamente o ameaçou. “Devia ter mais ou menos uns 40 anos de idade, um pouco maior do que eu. Não conheço, imagino que nem possa ser amigo dos meus filhos, porque eu conheço mais ou menos os amigos dos meus filhos, e meus amigos não têm amigos em Vinhedo (interior de São Paulo, onde ele vive).”

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