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OPERAçãO LAVA JATO

Delator diz que viajou com Silvio Pereira em avião da GDK para levar propina para campanhas

Fernando de Moura, empresário e amigo de José Dirceu, disse ao juiz da Lava Jato que a bordo de aeronava visitou Rio, Vitória, Cariacica e Fortaleza, em 2004, para entregar dinheiro com o então secretário-geral do PT

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Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Julia Affonso

23 Janeiro 2016 | 05h21

O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. Foto: Jamil Bittar/Reuters

O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. Foto: Jamil Bittar/Reuters

O empresário e lobista Fernando de Moura – ligado ao PT e amigo do ex-ministro José Dirceu – afirmou ao juiz federal Sérgio Moro, nesta sexta-feira, 22, que no ano de 2004 usou um avião emprestado pela empreiteira GDK para viajar por três Estados junto com o ex-secretário-geral do partido Sílvio Pereira para distribuir dinheiro para campanhas eleitorais.

“R$ 750 mil foi para a campanha eleitoral”, disse Moura, interrogado como réu no processo que tem como alvo central o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula). “A gente levou isso para o Rio de Janeiro para Vitória, para Cariacica e depois para Fortaleza para distribuir na campanha. Fui eu e o Sílvio em um avião cedido pelo César (Oliveira, presidente) da GDK.”

Fernando Moura encobriu o rosto no dia de sua prisão. Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Fernando Moura encobriu o rosto no dia de sua prisão. Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Delator da Lava Jato, Moura foi ouvido pela primeira vez por Moro em audiência realizada nesta sexta-feira, 22, na Justiça Federal em Curitiba, base da missão Lava Jato. O dinheiro “decorria dos contratos com a Petrobrás”.
Moura citou ainda que em outra ocasião, passou na sede da Camargo Corrêa para retirar dinheiro para o PT. “O Silvio pediu que eu passasse na Camargo que eles iam doar R$ 300 mil para levar para o Rio de Janeiro”

O valor, segundo ele, foi uma doação não oficial da empreiteira. “Só os R$ 300 da Camargo foi doação extraoficial. Não foi comissão (por contratos na Petrobrás).”

Moura disse ter buscado dinheiro com o lobista Julio Camargo, como representante da empreiteira Camargo Corrêa, em três ocasiões. Julio Camargo também é delator da Lava Jato e confessou intermediar propina.

Não é a primeira vez que Silvio Pereira tem seu nome associado à GDK Engenharia – também alvo da Lava Jato. Cesar Oliveira, dono da empresa protagonizou um outro capítulo emblemático da política brasileira. Foi ele quem presenteou o ex-secretário-geral do PT com um Land Rover, avaliado em R$ 74 mil, em 2005.  O partido atravessava sua pior crise com o estouro do escândalo do Mensalão e Pereira teria recebido o carrão em troca de facilitação para o empresário na Petrobrás.

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Delubio. Moura apontou contratos da Petrobrás em que negociou propina com Silvio Pereira e com o ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque – indicação do ex-ministro José Dirceu. Os valores de 3% de comissão em relação aos pagamentos era dividida entre o PT, executivos da Diretoria de Serviços e para ele. “Silvio e Delúbio eram as pessoas que recebiam em nome do partido.”

Silvio Pereira e Delúbio Soares não foram localizados para comentar o assunto.

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