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Operação Lava Jato

Delator diz que Dilma participou de reunião sobre divisão política de estatais

Por Fernanda Yoneya, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

03/02/2016, 21h40

   

Fernando de Moura afirmou ao juiz da Lava Jato que, no início do governo Lula, encontro aconteceu em sala ao lado de gabinete do então ministro da Casa Civil José Dirceu; estariam presentes, além da presidente, que era ministra de Minas e Energia, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-secretário-geral do partido Sílvio Pereira

O ex-presidente Lula e a presidente, Dilma Roussef, em evento da Petrobrás, quando ela era ministra de Minas e Energia

O ex-presidente Lula e a presidente, Dilma Roussef, em evento da Petrobrás, quando ela era ministra de Minas e Energia

O empresário Fernando Moura, ligado ao PT, afirmou ao juiz federal Sérgio Moro – da Operação Lava Jato – que a presidente Dilma Rousseff participou da reunião no início do governo Lula, em 2003, em que foi definida as indicações políticas de diretores de estatais que ficariam responsáveis pela arrecadação de valores para o partido.

“Foi feito uma reunião ao lado da sala do ministro da Casa Civil entre o José Eduardo Dutra (morto em 2015), que foi indicado presidente da Petrobrás, o Luis Gushiken, que era da Secretaria de Comunicação, o Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT), a Dilma Rousseff, que era ministra de Minas e Energia, o Sílvio Pereira (ex-secretário-geral do PT) e foram analisados todos os nomes que seriam indicados para cargos de diretoria”, afirmou Moura.

O encontro era para “definição de mais ou menos cinco diretorias de estatais para poder ajudar a nível de campanha posteriormente”. “Foi conversado sobre Petrobrás, sobre Correios, Caixa Econômica Federal, Furnas e Banco do Brasil. Isso em novembro de 2002.

O lobista, que é delator da Lava Jato, relatou que houve um impasse na indicação de Duque. “Existia uma indicação do Edimir Varela, que era o antigo diretor, e o Renato Duque. Quando foi questionado quem estava indicando Varela, o Delúbio não podia falar que era ele e disse que foi indicação do Aécio Neves.” Duque está preso desde março de 2015, em Curitiba, acusado de ser um braço do PT indicado pelo ex-ministro da Casa Civil no esquema de corrupção da Petrobrás.

Segundo o delator, foi então que Dirceu atuou como árbitro decidindo pela nomeação de Duque. “Chamara então o ministro José Dirceu para decidir quais dos dois seria. Na reunião ele disse ‘Aécio já foi contemplado com Furnas, fica o Renato Duque”, segundo Moura. Ele diz que foi Sílvio Pereira quem lhe detalhou a reunião.

Reinterrogado. Em depoimento à força-tarefa da Lava Jato, em que admitiu ter mentido em seu primeiro interrogatório feito ao juiz Sérgio Moro, Moura afirmou que Dilma indicou Rodolfo Landim para a Diretoria de Exploração & Produção, antes da definição de que ele assumisse no início do governo Lula a presidência da BR Distribuidora.

A mudança de posto do indicado ocorreu por conta da decisão de Dirceu. “No computador do PT foi colocado o Renato (Duque) como indicado para a Diretora de Exploração e Produção, não tinha sido para a Diretoria de Serviços”, afirmou o delator, em depoimento no dia 28 aos procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

“(Duque) só se transformou em Diretoria de Serviços, porque quando foi feita a indicação dos diretores, tinham duas pessoas disputando a Diretoria de Exploração e Produção, um o Rodolfo Landim, que era indicado pela Dilma, que era ministra de Minas e Energia, e outro era o Guilherme Estrela, que era indicado pelo sindicato com  petroleiros, e quem tava indicando era o José Eduardo Dutra”, contou Moura.

Segundo o delator, acabaram optando pela indicação do Estrela para Exploração e Produção “e foi transportado o Rodolfo Landim para a presidente da BR”. “E o Duque foi acomodado na Diretoria de Serviços.”

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