Delator diz que deu US$ 5 milhões para a empresa Pedala, a pedido de Mantega

Delator diz que deu US$ 5 milhões para a empresa Pedala, a pedido de Mantega

Dinheiro seria para investimento em empresa de venda pela internet que acabou sendo 'infrutífera' e valor foi perdido

Ricardo Brandt, Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

19 Maio 2017 | 14h53

Guido Mantega. Foto: Evaristo Sá/AFP

O empresário Joesley Batista, um dos donos do Grupo JBS, afirmou em sua delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato que deu US$ 5 milhões para o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, em 2012, para uma empresa chamada Pedala Equipamentos Esportivos. Novo delator bomba que abalou a República, ele contou ainda que “emprestou” US$ 20 milhões da conta corrente do PT, que chegou a ter US$ 150 milhões.

“No ano de 2012, o então ministro Guido Mantega solicitou a Joesley Batista um empréstimo conversível em participação societária, na empresa Pedala Equipamentos Esportivos Ltda”, informa o anexo 2, da delação da JBS, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O valor do empréstimo de US$ 5 milhões foi feito por Joesley Batista através de sua empresa Antigua Investiments LLC.”

Segundo o delator, Mantega era uma espécie de abridor de portas da JBS no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


“O empreendimento da Pedala não resultou frutífero, sendo que Joesley Batista perdoou o empréstimo e a empresa encerrou suas atividades.”

Investimento. O delator contou ainda que emprestou US$ 20 milhões para Mantega, que foi debitado da “conta corrente do PT” e devolvido um ano depois.

“O então ministro Guido Mantega, solicitou a JB que fizesse um investimento de US$ 20 milhões, debitada a ‘conta corrente’ do PT, em uma conta no exterior”, disse Joesley. “Após um ano, o investimento foi devolvido para a ‘conta corrente’ do PT, em igual valor, não sabendo este qual o destino ou a finalidade do investimento”.

Operador. O delator disse que pagava 4% de todos os aportes feitos pelo banco, a um intermediário que o apresentou a Mantega, em 2005. Seria Victor Sandri, um italiano conhecido como Vic, que dizia ter intimidade com o ex-ministro. Nessa época, o ex-Fazenda ainda ocupava o Planejamento do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

As três primeiras liberações de recursos do BNDES, de US$ 80 milhões, US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, tiveram pagamento de 4% de comissão, via conta offshore no exterior. Segundo o delator, Vic dizia que metade era para Mantega.

O depoimento foi prestado no dia 3 de maio.

Mantega foi alvo da 34.ª fase da Lava Jato, batizada como Arquivo X, em setembro do ano passado, quando chegou a ser preso temporariamente, mas solto no mesmo dia por decisão do juiz Sérgio Moro. Na ocasião, ele foi detido por agentes da PF quando acompanhava a mulher em uma cirurgia no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Na época, a Procuradoria da República, no Paraná, informou que o empresário Eike Batista, ex-presidente do Conselho de Administração da OSX, havia declarado que, em 1 de novembro de 2012, recebera um pedido de um então ministro e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, para que fizesse um pagamento de R$ 5 milhões ao PT.

 

O termo de colaboração 1 do empresário Joesley Batista descreve o fluxo de duas ‘contas-correntes’ de propina no exterior, cujos beneficiários seriam os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. O empresário informou à Procuradoria-Geral da República que o saldo das duas contas bateu em US$ 150 milhões em 2014. Ele disse que Mantega operava as contas.

 

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