Delator diz que cartel fez acordo com Renato Duque em 2004

Augusto Mendonça afirmou à Justiça que empreiteiras fizeram pacto com o então diretor de Serviços da Petrobrás para propina de 2% sobre contratos

Redação

04 Fevereiro 2015 | 23h20

Por Fausto Macedo, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Julia Affonso

Em seu terceiro depoimento da semana nas ações penais da Operação Lava Jato envolvendo dirigentes das maiores empreiteiras do País no banco dos réus, o executivo Augusto Ribeiro Mendonça afirmou que o “clube”criado para afastar concorrências nas contratações da Petrobrás só se tornou efetivo a partir do acordo firmado com os ex-diretores de Abastecimento Paulo Roberto Costa e de Serviços Renato Duque.

“A partir do fim de 2003, começo de 2004, esse grupo (de empreiteiras) conseguiu fazer um acordo com os diretores da Petrobrás da área de Abastecimento de de Serviços, Paulo Roberto Costa e Renato Duque”, afirmou Mendonça, ao juiz federal Sérgio Moro – que conduz os processos da Lava Jato.

Segundo ele, ficou acertado pagamentos de propina de 1% para Abastecimento e 2% para Serviços. “De modo que as empresas convidadas acabassem se restingindo as participantes do próprio grupo.” Mendonça, que diz participar do “clube” de empreiteiras desde o fim da década de 1990, explicou que “aí sim o grupo passou a ter uma efetividade importante”. Questionado então pelo procuradores da força-tarefa da Lava Jato se antes do acordo com Costa e Duque se houve pagamento de propina ou promessa, ele foi taxativo. “Nunca soube”.

Delator dos processos da Lava Jato, Mendonça detalhou em seu depoimento na tarde desta quarta-feira, 4, como se formou o suposto cartel que fatiava obras da Petrobrás, a partir dos anos 90, como ele se efetivou depois de 2004, por meio de pagamentos de propinas a agentes públicos, e como era operacionalizada a propina intermediada por ele.

Mendonça foi ouvido nesta quarta-feira, 4, no processo contra seis executivos da OAS. Os dois ex-diretores da Petrobrás apontados por ele como autores do acordo com o “clube” foram indicados pelo PP e pelo PT, respectivamente.

O esquema criado a partir de 2004 envolvia o loteamento de diretorias da Petrobrás para cobrança de propinas em grandes contratos que variavam de 1% a 3%. O PT comandaria as diretores de Serviços, de Exploração & Produção e de Energia e Gás, o PP, Abastecimento, e o PMDB a Diretoria Internacional.

Segundo Mendonça, a OAS fazia parte do suposto cartel. Ela teria ingressado no esquema de empreiteiras do “clube” em uma segunda fase, à partir de 2006.

VEJA A ÍNTEGRA DO DEPOIMENTO DO DELATOR AUGUSTO MENDONÇA