Delator diz que Aécio recebeu R$ 80 milhões para campanha, mas “continuou pedindo mais”

Delator diz que Aécio recebeu R$ 80 milhões para campanha, mas “continuou pedindo mais”

Em delação premiada, o diretor de Relações Institucionais e de Governo da JBS, Ricardo Saud, relatou que o dinheiro era guardado em mochila preta por Frederico Pacheco de Medeiros, primo do tucano afastado do cargo de senador

Leonencio Nossa

19 Maio 2017 | 13h24

Senador Aecio Neves dentro de sua residencia em Brasilia – Aecio teve foi afastado do cargo de senador pelo STF apos denuncias da Delação da JBS FOTO WILTON JUNIOR / ESTADÃO

Em delação ao Ministério Público, o diretor de Relações Institucionais e de Governo da JBS, Ricardo Saud, relatou, no último dia 7, que o grupo pagou R$ 80 milhões para a campanha do então candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Principal braço direito de Joesley Batista, dono da JBS, nas negociações com políticos do governo ou da oposição, Saud não deu detalhes sobre a forma do repasse ao tucano, mas disse que as “questões” eram na maioria das vezes “ilícitas”.

O delator contou que Joesley sempre “correu” do candidato. “Ele (Aécio) continuou pedindo mais dinheiro após a campanha”, relatou. Saud ainda contou que um homem de prenome Fred era o interlocutor de Aécio para receber o dinheiro, sempre em shopping center movimentado. O dinheiro era guardado por Fred numa mochila de cor preta. Uma pessoa próxima de Aécio conhecida por Fred é o primo dele Frederico Pacheco de Medeiros, preso no âmbito das investigações. O delator ainda contou que pagava “propina” a dois intermediários de Eduardo Cunha, Altair e Lúcio Funaro. (Leonencio Nossa)


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