Youssef diz que Dirceu e Palocci eram ligação de lobista com PT

Youssef diz que Dirceu e Palocci eram ligação de lobista com PT

Doleiro afirmou também, em delação premiada em outubro, que ex-ministro da Casa Civil e tesoureiro do PT eram pessoas indicadas para 'efetivar recebimentos' para o partido

Redação

12 Fevereiro 2015 | 13h33

Atualizada às 19h13

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Julia Affonso

Alberto Youssef revelou em sua delação premiada que os ex-ministros José Dirceu e Antônio Palocci eram “as ligações” do lobista e operador de propina na Petrobrás Julio Gerin Camargo com o PT. O doleiro – alvo central da Operação Lava Jato – apontou que o nome José Dirceu consta no registro de contabilidade de propina com a rubrica “Bob” – suposta referência ao apelido de um ex-assessor do ex-ministro da Casa Civil.

“Julio Camargo possuía ligações com o Partido dos Trabalhadores, notadamente com José Dirceu e Antonio Palocci”, afirmou Youssef.

Dirceu, à esquerda, e Palocci foram citados por Youssef. Fotos: Estadão

Dirceu, à esquerda, e Palocci foram citados por Youssef. Fotos: Estadão

Personagem central da Lava Jato, o doleiro envolveu Dirceu a um suposto recebimento de propina em outro trecho de sua delação. Atualmente, o ex-ministro da Casa Civil cumpre pena por envolvimento no Mensalão.

“Que o dinheiro entregue pelo declarante em São Paulo servia para pagamento da Camargo Corrêa e da Mitsue Toyo ao Partido dos Trabalhadores, sendo que as pessoas indicadas para efetivar os recebimentos à época eram João Vaccari e José Dirceu”, disse.

Segundo o doleiro, o lobista tinha uma pessoa que era responsável pela contabilidade das propinas operadas por ele na Petrobrás, em nome de empreiteiras do cartel. Trata-se de Franco Clemente Pinto.

“Franco é homem de confiança de Julio Camargo e o responsável pela contabilidade de pagamentos ilícitos a título de propina e caixa 2”, afirmou Youssef. Segundo o doleiro, Franco armazenava toda movimentação de propina em um “pen drive”, acessado com senha.

“Eram utilizadas siglas em tal contabilidade ilícita”, explicou o doleiro. “A de José Dirce era ‘Bob’.” Para a PF, pode tratar-se de Roberto Marques, um ex-assessor. Youssef diz ter visto várias vezes o registro de contabilidade.

O doleiro afirmou ainda não sabe sobre valores que teriam sido repassados a Dirceu, mas contou que o ex-ministro, depois de deixar o governo Luiz Inácio Lula da Silva, utilizou o jato Citation Excel que pertence ao lobista Julio Camargo.

“Não sabe dizer quantas vezes o avião foi utilizado por José Dirceu e nem a razão do uso. Mas pode afirmar que Julio Camargo e José Dirceu são amigos”, registraram os investigadores da Lava Jato no termo de delação 11 do doleiro.

A PF anexou a foto do homem de confiança do lobista que fazia a contabilidade da propina em em seu nome.

O advogado que defende Palocci foi procurado, mas ainda não se manifestou. Roberto Marques  foi procurado na Assembleia Legislativa de São Paulo. A reportagem foi informada que ele não estava e não poderiam ser passados celular ou e-mail.

COM A PALAVRA, JOSÉ DIRCEU.

“O ex-ministro José Dirceu repudia, com veemência, as declarações do doleiro Alberto Youssef de que teria recebido recursos ilícitos do empresário Julio Camargo, da Toyo Setal, ou de qualquer outra empresa investigada pela Operação Lava Jato.

O ex-ministro também afirma que nunca representou o PT em negociações com Julio Camargo ou com qualquer outra construtora. As declarações são mentirosas. O próprio conteúdo da delação premiada confirma que Youssef não apresenta qualquer prova nem sabe explicar qual seria a suposta participação de Dirceu. O ex-ministro também esclarece que, depois que deixou a chefia da Casa Civil, em 2005, sempre viajou em aviões de carreira ou por empresas de táxi aéreo.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JULIO CAMARGO.

O executivo Julio Gerin de Almeida Camargo classificou de “ilusória e absurda” a afirmação do doleiro Alberto Youssef sobre suposto relacionamento dele com o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil). Em nota intitulada “Fato Relevante”, a advogada criminal Beatriz Catta Preta, que defende Camargo na Operação Lava Jato, afirma que as declarações de Youssef em delação premiada “são temerárias porque absolutamente inverídicas”.

COM A PALAVRA, A CAMARGO CORRÊA.

“A Construtora Camargo Corrêa repudia as acusações sem comprovação e reitera que segue à disposição das autoridades e tem prestado as informações solicitadas pelas autoridades para esclarecer os fatos e demonstrar que estas acusações são improcedentes.”

LEIA O TRECHO DA DELAÇÃO DE YOUSSEF QUE CITA DIRCEU E PALOCCI