Delator aponta influência de tucano em diretoria da Petrobrás em 2002

Delator aponta influência de tucano em diretoria da Petrobrás em 2002

Ex-deputado Alexandre Santos, que depois se filiou ao PMDB, teria 'muita influência' na diretoria de Serviços da estatal na época, segundo Fernando Baiano

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Ricardo Brandt

21 Outubro 2015 | 18h12

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O ex-deputado Alexandre Santos. Foto: Divulgação

Em seu depoimento à força-tarefa da Lava Jato, o lobista e delator Fernando Antonio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano citou, pela primeira vez, a influência de um parlamentar do PSDB na diretoria de Serviços da Petrobrás durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB/1995-2002).

O delator, com grande trânsito no meio político, contou aos investigadores que conheceu o parlamentar em 2002 em um restaurante de um amigo, quando ele ainda estava no PSDB, e foi informado por este amigo que Alexandre “era muito influente na Diretoria de Serviços da Petrobrás na época”. Alexandre Santos foi filiado ao PSDB de 1994 a 2003, tendo se filiado ao PP entre 2003 e 2005 e, desde então, está no PMDB, partido pelo qual exerceu mandato na Câmara até o ano passado. Atualmente ele não exerce mais mandato parlamentar. Sua mulher Soraya Santos é deputada federal pelo PMDB do Rio.

Baiano informa ainda que manteve contato com o ex-parlamentar desde então em outras ocasiões, incluindo eventos sociais, mas que nunca fecharam nenhum negócio. Apesar de ser a primeira vez que um delator cita a influência do PSDB em uma diretoria da estatal durante o governo Fernando Henrique Cardoso, outros delatores já mencionaram o pagamento de propinas nos períodos que antecederam os governos do PT. O ex-gerente de Serviços e também delator Pedro Barusco, por exemplo, afirmou que recebeu propinas da holandesa SBM Offshore desde o primeiro contrato de navio-sonda da estatal, em 1995.

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O esquema de loteamento político e cobrança de propinas nas diretorias da Petrobrás foi revelado pela Lava Jato no ano passado. Segundo relataram os delatores, a partir de 2003 a diretoria de Serviços passou a ser “cota” do PT na estatal, recebendo propinas que variavam de 1% a 2% dos valores dos contratos da petrolífera e cuja metade era destinada ao partido dos trabalhadores. Esquema semelhante era adotado nas diretorias de Abastecimento (cota do PP) e Internacional (cota do PMDB).

Cunha. O delator revela ainda que Alexandre Santos o apresentou ao presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em 2009, durante um café da manhã no hotel Marriot, no Rio de Janeiro. “Alexandre comentou com Eduardo Cunha que o depoente (Baiano) era conhecido e tinha negócios na Petrobrás, que representava empresas espanholas e que tinha uma relação próxima com Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da estatal e delator da Lava Jato), contou o lobista.

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Ainda segundo o delator, foi a partir deste encontro que ele buscou estreitar sua relação com Cunha, pois sabia que ele era um político “muito influente”.

Procurado pela reportagem, o PSDB informou que não tomou conhecimento do caso e que cabe ao ex-parlamentar se explicar. A reportagem entrou cm contato com a assessoria do diretório do PMDB no Rio e da deputada Soraya Santos (PMDB-RJ), esposa de Alexandre, mas não conseguiu localizar o ex-parlamentar para comentar o caso.