Delações conduzidas por Miller ‘são mentirosas’, diz Renan à PF

Delações conduzidas por Miller ‘são mentirosas’, diz Renan à PF

Em depoimento no dia 27 ao delegado Thiago Delabary, senador do PMDB partiu para o ataque contra ex-braço direito de Janot, advogada da JBS e dois procuradores da República

Vera Rosa e Luiz Vassallo

30 Setembro 2017 | 14h00

Renan Calheiros. Foto: EFE/Joédson Alves

O ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) partiu para o ataque, em depoimento à Polícia Federal, contra a advogada da JBS, Fernanda Tórtima, o ex-procurador da República Marcello Miller, e os procuradores Eduardo Pelella e Anselmo Lopes.

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O senador depôs na quarta-feira, 27, ao delegado Thiago Machado Delabary, do Grupo de Inquéritos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, em inquérito sobre supostos desvios de recursos em contratos firmados para obras da Hidrelétrica de Belo Monte, supostamente em benefício do PMDB.

As investigações são embasadas em delações premiadas de executivos da Andrade Gutierrez e do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT/MS).

Renan declarou. “Que o ex-senador Delcídio do Amaral não dispunha de informações qualificadas sobre os fatos que narrou, justificando que teria obtido informações a respeito de Belo Monte meramente por ser originário do setor elétrico; que Delcídio do Amaral, na verdade, não apresentou qualquer indício, tendo baseado seu relato em informações claramente ‘mentirosas’, como ‘todas colaborações conduzidas pelos procuradores da República Marcello Miller, Pelella, Anselmo e pela advogada Fernanda Tórtima, marcadas por imunidades, proibição de remessas de informações penais para outros países, honorários discutíveis, vazamentos opressivos e cobertura à lavagem de dinheiro de alguns colaboradores’.

Ex-braço direito de Rodrigo Janot – ex-procurador-geral da República -, Marcelo Miller é investigado por supostamente fazer jogo duplo ainda à época em que ocupava cargo no Ministério Público Federal. Ele é o pivô do inquérito que resultou na rescisão do acordo de colaboração de Joesley Batista e Wesley Batista.

Em áudio enviado pelos delatores em agosto junto a anexo complementar sobre o senador Ciro Nogueira (PP), os executivos da JBS mencionam o ex-procurador como um garantidor de benefícios junto à PGR.

No áudio dos delatores, alvo de investigação, ele é mencionado por Joesley como um procurador da República que estaria atuando em benefício do grupo.

“Não é que não tem. Nós vamos, eu já falei pro Francisco: tem que resolver isso,nós vamos ajeitar. Fernandinha, você vai ajeitar o Marcelo, que nós já estamos ajeitando. Nós vamos conhecer o Janot, nós vamos conhecer não sei quem, e quem precisa do que?”, afirmou o empresário.

Miller é investigado por jogo duplo. Após deixar o Ministério Público Federal, ele passou a integrar o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, e integrou o time de advogados que negociaram o acordo de leniência da J&F. E-mails do escritório anexados aos autos de investigação mostram que, mesmo no cargo de procurador, ele já orientava a elaboração de anexos do acordo de leniência da J&F. Até mesmo passagens aéreas foram pagas  pelo Trench, Rossi e Watanabe enquanto Miller ainda estava no cargo.

Já Fernanda Tórtima, que foi sócia do escritório, também aparece nas conversas de áudios ainda gravados por delatores do grupo J&F, incluindo os que estavam apagados e foram recuperados pela Polícia Federal, mantidos em sigilo.

Eduardo Pelella é ex-chefe de gabinete do procurador-geral da República.

Já Anselmo Lopes é o procurador da República do Distrito Federal que conduziu a delação e as ações controladas da JBS. Ele é mencionado em áudio entre o empresário Joesley Batista e Michel Temer, às escondidas, no Palácio do Jaburu, no qual o executivo disse que precisava ‘trocar’.

A reportagem procurou Eduardo Pelella e Anselmo Lopes, por meio do Ministério Público Federal. O espaço está aberto para manifestação.

A defesa de Marcelo Miller informou que não vai se manifestar.

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