Delação levou PF a Lyra, Sereno e Machado

Operação Rizoma agiu contra crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ligados a fundos de pensão após delação de Alessandro Laber.

Fábio Serapiao, Luiz Fernando Teixeira e Fausto Macedo

12 Abril 2018 | 07h59

Atualizado às 12h20
Um dos alvos da operação Rizoma, deflagrada nesta quinta-feira, 12, para apurar crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção ligados aos fundos de pensão Postalis e Serpros, é o empresário Milton Lyra. Ele já havia sido alvo das operações Pausare, Omertà e Sepsis, é apontado como operador do senador Renan Calheiros (MDB-AL) e é alvo de investigações que estão no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Lava Jato.

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A Rizoma foi deflagrada com base na delação de Alessandro Laber. Outros alvos são Marcelo Sereno, ex-assessor do ex-ministro José Dirceu e ex-secretário nacional de comunicação do PT, e Arthur Pinheiro Machado, que foi preso em São Paulo logo no início da ação dos agentes da Polícia Federal.

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O MPF aponta que valores oriundos dos fundos de pensão dos Correios (Postalis) e do Serpro, empresa pública de tecnologia da informação (Serpros) eram enviados para empresas no exterior gerenciadas por um operador financeiro brasileiro. As remessas, apesar de aparentemente regulares, referiam-se a operações comerciais e de prestação de serviços inexistentes.

Cento e quarenta agentes estão nas ruas no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo para cumprir dez mandados de prisão preventiva e outros e 21 mandados de busca e apreensão.

Segundo a PF, a Rizoma é um desdobramento das operações Eficiência e Unfair Play 1º Tempo. A maior parte dos mandados foi cumprido no Rio de Janeiro (seis preventivas e 16 de buscas). O Distrito Federal teve cinco mandados (dois preventivos e três buscas) e São Paulo outros quatro (dois preventivos e dois de busca).

Rizoma, na Botânica, é uma espécie de caule que se ramifica sob a terra, tratando-se de uma alusão ao processo de lavagem de dinheiro e ao entrelaçamento existente entre as empresas investigadas.

A reportagem busca contato com as defesas dos envolvidos. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, OS CRIMINALISTAS PIERPAOLO BOTTINI E ALEXANDRE JOBIM, DEFENSORES DE MILTON LYRA
“A defesa do empresário Milton Lyra informa que seu cliente já havia se colocado à disposição da Justiça do Distrito Federal, que apura o caso, para esclarecimento dos fatos. Ao tomar conhecimento da decisão da Justiça do Rio de Janeiro, prontamente, por meio de seus advogados, o empresário entrou em contato com a Polícia Federal para apresentar-se. A defesa assevera ainda que as atividades profissionais do empresário são lícitas, o que já foi comprovado em diversas oportunidades, e que seu cliente está e sempre esteve à disposição para colaborar com a Justiça e com a investigação.”
Pierpaolo Bottini e Alexandre Jobim

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ARTHUR PINHEIRO MACHADO E PATRÍCIA IRIARTE

“A defesa de Arthur Pinheiro Machado e de Patricia Iriarte refuta, de forma veemente, qualquer relação entre os empresários e atos ilícitos. Informa que ambos sempre agiram no mais absoluto respeito à legislação e que não compactuam com práticas ilegais.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO AFONSO DESTRI, QUE DEFENDE SERENO

O advogado de Marcelo Sereno, Afonso Destri, negou as acusações contra seu cliente e criticou a conduta do juiz Marcelo Bretas de decretar a prisão de Sereno. “Existem ilações do Ministério Público, então é natural que se investigue. Mas a investigação é embrionária, está só começando, e não deveria começar com a decretação da prisão, que é a medida mais dura do Direito Penal”, afirmou o advogado. “A prisão é a pior medida, é medieval, e não pode ser usada como instrumento de produção de provas”, criticou. Destri afirmou estar tomando ciência da decisão judicial para em seguida impetrar habeas corpus em favor de seu cliente.

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