‘Deixem-no em paz’, pede advogado de Temer ao defender suspeição de Janot

O advogado do peemedebista também afirmou que o presidente"quer trabalhar, mas não consegue" devido às flechadas do procurador-geral

Breno Pires, Rafael Moraes Moura, Beatriz Bulla e Igor Gadelha, de Brasília

13 Setembro 2017 | 15h18

 

FR12 SÃO PAULO – SP – 29/06/2017 – NACIONAL – EXCLUSIVO EMBARGADO – ADVOGADO DO PRESIDENTE MICHEL TEMER – Foto do advogado do Presidente Michel Temer, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

BRASÍLIA – No plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado do presidente Michel Temer, Antônio Cláudio Mariz, defendeu a suspeição do procurador-geral Rodrigo Janot na condução das investigações contra Temer afirmando que há “absolutamente ausência de imparcialidade no caso JBS”. Ele também afirmou que Temer “quer trabalhar, mas não consegue” devido às flechadas de Janot e pediu que “deixem-no (Temer) em paz”.

“Janot demonstrou absoluta ausência de imparcialidade no caso JBS. Agiu de forma absolutamente açodada e confessou a sua pressa”, afirmou Mariz.


Mariz criticou as “flechas” de Janot, afirmando que “não é assim que os grandes procuradores-gerais da República agem”.

“É preciso que haja comedimento por parte do MP, é preciso que haja cautela e cuidado, se está acusando um cidadão, se está acusando um cidadão brasileiro que é presidente da República, quer queira, quer não se queira. É um homem que responderá pelo Brasil por um ano e meio daqui para a frente, deixem-no em paz”.

“Pensem em todo o sofrimento que essas conduta com o efetivo eco concedido pela mídia para dar eco para propagar o mal, todo o sofrimento que se está impingindo ao presidente da república, a ele, a mulher, aos filhos, ao irmão que está doente”, disse.

Em sua estratégia de apontar a falta de honestidade de Joesley Batista, o advogado afirmou também que agora “dois delatores estão presos”. “São delatores que deram base para que a denúncia fosse oferecida. Será que não mentiram em relação ao STF, à PGR, ao presidente da República?”, indagou.

A validade das provas obtidas no acordo de colaboração da JBS entrará em debate no Supremo, por meio da questão de ordem proposta pelo ministro Edson Fachin, o relator. Ele submeteu ao plenário discussão sobre quais são os efeitos que a eventual rescisão de um acordo de delação premiada deve ter sobre as provas obtidas.

Ainda segundo Mariz, a primeira denúncia oferecida contra Temer por Janot foi feita sem provas. “Janot acusou presidente de ter relações espúrias com A, B, C, mas jamais comprovou isso. Acusou o presidente de ter relações espúrias com A, B ou C, mas jamais demonstrou que essas relações foram espúrias”.

“A mala em relação a qual se afirma que tenha sido colocado um chip, chip esse que foi retirado depois, o chip foi retirado porque a mala não atingiu o destino que os acusadores queriam que atingisse. Eles queriam que a mala chegasse ao palácio do planalto, mas jamais isso seria possível”, disse.

Negado. Antes de Mariz iniciar a sustentação oral sobre o pedido de suspeição, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, negou um pedido feito pela defesa do presidente Michel Temer para que o pleno da Corte julgasse conjuntamente as duas questões de ordem feita por ela: uma pedindo a suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e a outra pedindo a suspensão de eventual segunda denúncia apresentada pela PGR contra o presidente da República.

O pedido foi feito pelo advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz, logo no início da sessão. Ele argumentou que o escopo das duas questões é o mesmo e que, por isso, elas deviam ser julgadas conjuntamente. “Acolhida a suspeição (de Janot), não haverá condições de oferecimento de nova denúncia por parte do senhor procurador-Geral da República. (…) Entendo que, talvez pudéssemos fazer julgamento conjunto, porque, se a questão de ordem for acolhida, desnecessária será análise da outra”, disse.

A presidente da Corte, no entanto, negou o pedido. Argumentou que as questões foram postas pelo relator do caso, ministro Luis Edson Fachin separadamente e que, por isso, assim devem ser analisadas.