Defesa diz que lobista do MDB se entregou

Em nota, advogados de Milton Lyra afirmam que ele 'jamais participou de transações envolvendo o Fundo Postalis'

Roberta Pennafort/RIO e Luiz Vassallo

12 Abril 2018 | 20h15

A defesa do empresário Milton Lyra – apontado pela Polícia Federal como lobista do MDB em um bilionário esquema de fraudes com recursos de fundos de pensão – informou que ele se apresentou ‘voluntariamente’ à Polícia Federal no Rio.

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Lyra teve a prisão temporária decretada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal Federal no Rio no âmbito da Operação Rizoma, que investiga fraudes no Postalis e no Serpros.

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O lobista seria o elo do senador Renan Calheiros (MDB/AL) com o Postalis. Renan nega ligação com o esquema de fraudes nos fundos de pensão.

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Nesta quinta-feira, 12, a PF foi à residência de Lyra, em Brasília, mas ele não estava.

No final da tarde, os advogados que defendem o lobista divulgaram nota comunicando sua apresentação ‘voluntária’ à Polícia Federal no Rio, base da Operação Rizoma ‘a fim de cumprir a ordem expedida pela Justiça’.

A operação foi deflagrada por ordem do juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal Federal do Rio. O magistrado decretou a prisão de 10 investigados e buscas em 21 endereços.

“Atualmente, muitas pessoas buscam investir em um fundo complementar de aposentadoria a fim de garantir uma velhice digna, com uma aposentadoria satisfatória. Contudo, os desvios de numerário dos fundos de pensão geram um déficit nas contas do fundo, o que obriga aos trabalhadores a realizarem contribuições extraordinárias para cobrir o rombo”, pontua Bretas.

Entre os alvos da missão está o ex-secretário nacional de Comunicação do PT e ex-braço direito de José Dirceu na chefia da Casa Civil do governo Lula.

Milton Lyra também é apontado como personagem importante na estrutura da suposta organização que desviava recursos dos fundos de pensão.

A defesa de Lyra esclareceu que o empresário ‘jamais participou de transações envolvendo o fundo Postalis’.

“Quando passou a integrar o conselho de administração da empresa ATG, o fundo já havia decidido aportar recursos e transferido grande parte do investimento”, sustentam os criminalistas Pierpaolo Bottini e Alexandre Jobim, defensores do Milton Lyra.

“Milton Lyra confia que, ao analisar com serenidade as provas e relatos, o Judiciário concluirá que a sua atuação empresarial em nada se relaciona às práticas investigadas”, afirmam os advogados.