Defesa diz que intervenção acaba com ‘supostos’ motivos de transferência de Cabral

Defesa diz que intervenção acaba com ‘supostos’ motivos de transferência de Cabral

Ex-governador do Rio foi transferido da prisão de Benfica, na capital fluminense, para o Complexo Médico-Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, em janeiro

Amanda Pupo

20 Fevereiro 2018 | 11h23

Na foto, Sérgio Cabral deixa o presídio de Benfica, no Rio, e entra no camburão para seguir para o aeroporto. Foto Domingo Peixoto /Agência O Globo

A defesa do ex-governador Sérgio Cabral do Rio (MDB) afirmou que a intervenção federal no Rio de Janeiro põe fim às motivações que levaram o emedebista a ser transferido da prisão de Benfica, no Rio, para o Complexo Médico-Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR). A manifestação foi feita ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (19).

Os advogados tentam levar Cabral de volta ao Rio, por meio de um habeas corpus que está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. “Parece ter sido derreada a base da decisão aqui impetrada, já que ela foi toda centrada em supostas regalias que o paciente estaria obtendo, na unidade prisional em que se encontrava, devido a sua boa relação com algumas autoridades”, diz a defesa.

O advogado Rodrigo Roca ainda afirma que com o “novo cenário” da administração penitenciária do Rio, se havia algum receio sobre os “supostos” benefícios”, ele “evidentemente não existe mais”, reforçando o pedido para que Cabral volte a ficar preso em Benfica.

A defesa ainda pede que, caso Gilmar decida levar o habeas corpus para ser julgado pelo colegiado da Segunda Turma do STF, “ao menos” atenda liminarmente o pedido para que o interrogatório de Cabral, marcado para o próximo dia 27, seja suspenso até que o pedido de transferência seja julgado definitivamente.

PGR. Em manifestação enviada a Gilmar na semana passada, a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, pediu que o ministro rejeite o habeas corpus. O emedebista acumula 87 anos de prisão em condenações.

Raquel afirmou que ‘muitos dos benefícios verificados até seriam esperados em um sistema prisional, tais como colchões diferenciados, porém, na maneira verificada, ao contrário de acatamento aos objetivos de um estabelecimento prisional, indicam um tratamento não isonômico, privilegiado, em razão das influências espúrias que o custodiado exercia sobre as autoridades carcerárias locais’.

“O paciente é ex-governador do Estado onde estava privado de sua liberdade e os fatos documentados, fotografados e indicados, bem demonstram que ainda exerce influência sobre as autoridades carcerárias locais, a ponto de obter benefícios não isonômicos”, afirmou a procuradora-geral.