Defesa de Vaccari diz que pedido de doação ‘é missão de todos os tesoureiros de partidos’

Em nota pública, criminalista Luiz D'Urso destaca trecho de decisão do juiz da Lava Jato: 'Palavra de criminosos colaboradores deve sempre ser vista com desconfiança'.

Redação

13 Fevereiro 2015 | 19h14

Por Fausto Macedo, Ricardo Galhardo e Ricardo Brandt

O tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, afirmou nesta sexta-feira, 13, por meio de seu advogado, que “nunca recebeu qualquer quantia, valor ou bens, a qualquer título, sob qualquer pretexto, em lugar algum, a qualquer tempo” do delator da Operação Lava Jato Alberto Youssef, doleiro.

Em nota pública, o criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, constituído para a defesa de Vaccari, assinala que o tesoureiro do PT “refuta e repudia veementemente todas as afirmações sobre sua pessoa, contidas nos depoimentos prestados pelo sr. Alberto Youssef, sob a rubrica de delação premiada”.

Na nota, D’Urso ressalta que Vaccari assumiu o cargo de Secretário Nacional de Finanças do Partido dos Trabalhadores em 2010 e que “dentre suas funções, tem ele, por obrigação contatar pessoas físicas e jurídicas solicitando doações oficiais para o seu partido, tudo dentro da lei, aliás missão desempenhada por todos os tesoureiros de partidos políticos no Brasil”.

Vaccari chega a sede da PF para prestar depoimento. Foto: Felipe Rau/ Estadão.

Vaccari prestou depoimento à PF no início de fevereiro. Foto: Felipe Rau/ Estadão.

Na quinta feira, 12, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz todas as ações da Lava Jato, incluiu nos autos do processo todos os depoimentos de Youssef e de outro delator, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás – não foram anexados apenas os relatos que citam políticos com foro privilegiado porque a competência, neste caso, é do Supremo Tribunal Federal (STF).

São 62 depoimentos, 27 deles de Youssef. O juiz Moro assinalou que o Judiciário não se presta a ser “guardião de segredos sombrios”. O doleiro cita Vaccari como suposto beneficiário de propinas.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA PÚBLICA DA DEFESA DE JOÃO VACCARI NETO

“A defesa do Sr. João Vaccari Neto vem a público para refutar e repudiar, veementemente, todas as afirmações sobre sua pessoa, contidas nos depoimentos prestados pelo Sr. Alberto Youssef, sob a rubrica de Delação Premiada, pois tais afirmações não correspondem a verdade.

Mais uma vez, a defesa esclarece e reitera que o Sr. João Vaccari nunca recebeu qualquer quantia, valor ou bens, a qualquer título, sob qualquer pretexto, em lugar algum, a qualquer tempo, desse delator, Sr. Alberto Youssef.

Algo que merece destaque, mas não foi ressaltado em nenhuma matéria veiculada, é o trecho do despacho do Juiz Federal Sérgio Moro, que autorizou o levantamento do sigilo dos depoimentos colhidos na delação, mas adverte sobre a precariedade do conteúdo dessa delação, no tocante a sua veracidade. Transcrevemos o trecho do despacho de 12 de fevereiro último:

“Oportuno também ressalvar que a palavra de criminosos colaboradores deve sempre ser vista com desconfiança e que a publicidade ora conferida não significa aval deste Juízo quanto à veracidade das declarações. Os depoimentos devem ser amparados em prova de corroboração, o que ocorreu parcialmente, sem que se possa ainda emitir juízo conclusivo, em relação às ações penais propostas pelo Ministério Público Federal contra os dirigentes e os empregados das empreiteiras, os supostos corruptores. Quanto aos demais fatos, se forem colhidas eventualmente provas de corroboração, o destino será provavelmente o mesmo, a depender aqui da investigação e persecução a cargo da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Curitiba, 12 de fevereiro de 2015. Sérgio Fernando Moro, Juiz Federal”.

Importante ressaltar que o Sr. Vaccari assumiu o cargo de Secretário Nacional de Finanças do Partido dos Trabalhadores – PT, em 2010 e que dentre suas funções, tem ele, por obrigação contatar pessoas físicas e jurídicas solicitando doações oficiais para o seu partido, tudo dentro da lei, aliás missão desempenhada por todos os tesoureiros de partidos políticos no Brasil.

Todas as doações ao PT, solicitadas pelo Sr. Vaccari, foram realizadas, pelos seus doadores, por meio de depósito bancário, na conta do PT, dentro da lei, com toda transparência necessária, de modo a estarem rigorosamente dentro da lei, com a consequente prestação de contas às autoridades.

Por oportuno, a defesa, mais uma vez reitera que o Sr. Vaccari permanece à disposição das autoridades competentes para todos os esclarecimentos que se fizerem necessários.”