Defesa de executivo quer acesso a dados de interceptações

Advogado de Ricardo Pessoa solicitou ao juiz Sérgio Moro que determine às companhias telefônicas o envio de todos os dados referente as escutas da PF na Lava Jato

Redação

04 Fevereiro 2015 | 11h22

Por Mateus Coutinho, Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

A defesa do presidente da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, apontado como “presidente” do clube de empreiteiras que cartelizavam as licitações na Petrobrás, pediu ao juiz Sérgio Moro que determine às empresas telefônicas no Brasil e no exterior que enviem todos os dados das interceptações telefônicas da Lava Jato.

A medida ocorre após a audiência do delegado da Polícia Federal Márcio Anselmo, o principal responsável pelas interceptações telefônicas e telemáticas da operação, na qual Moro requisitou que a Polícia Federal apresente em dez dias cópias dos materiais referentes ao monitoramento dos aparelhos blackberry de alguns dos alvos, entre eles o doleiro Alberto Youssef.

Anselmo depôs segunda feira, 2, como testemunha de acusação no processo da Lava Jato. Para o criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende Pessoa, “a determinação não deve ser feita ao próprio delegado de polícia e testemunha de acusação, mas sim, às próprias companhias telefônicas e à própria RIM (empresa do Blackberry, no Canadá), para que elas, que como é sabido, guardam todos os registros”.

Dentre os registros solicitados estão as trocas de ofícios entre a PF e as empresas de telefonia, inclusive a canadense, todo o conteúdo das interceptações e os extratos telefônicos das contas monitoradas, bem como o período em que as escutas foram realizadas.

A iniciativa faz parte da estratégia de defesa de alguns empreiteiros, que alegam que a Lava Jato fez “ponte direta” com a direção-geral da Polícia Federal, em Brasília, e com a operadora RIM, do Canadá, para monitoramento de conteúdo do blackberry utilizado por investigados. A defesa argumenta que sem passar pelo crivo da Justiça, a Lava Jato não podia ter feito esse contato direto.

Na audiência realizada na segunda-feira, contudo, o delegado Márcio Anselmo negou irregularidades nas escutas e disse que as medidas foram tomadas com autorização judicial, por intermédiada PF em Brasília, como é feita em toda interceptação do tipo.