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Defesa de Dirceu diz que delator não tem credibilidade

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JOSé DIRCEU

Defesa de Dirceu diz que delator não tem credibilidade

Advogados de ex-ministro pedem a Sérgio Moro que negue pedido do Ministério Público Federal para Fernando Moura ser interrogado novamente

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Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

29 Janeiro 2016 | 15h40

Fernando Moura encobriu o rosto no dia de sua prisão. Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Fernando Moura encobriu o rosto no dia de sua prisão. Foto: Gabriela Bilo/Estadão

A defesa do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu afirmou nesta sexta-feira, 29, que o empresário ligado ao PT Fernando Moura, um dos delatores da Operação Lava Jato, ‘não tem credibilidade para ser ouvido como colaborador da Justiça’. Quatro advogados de Dirceu pediram ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Operação Lava Jato, que seja indeferido o pedido do Ministério Público Federal para novo interrogatório de Moura.

“Diante das inúmeras e contraditórias versões apresentadas por Fernando Moura, as quais, sem sombra de dúvidas, demonstram não ter o acusado credibilidade para ser ouvido como colaborador da Justiça, requer-se: (i) Sejam desentranhados dos autos os documentos acostados nos eventos 660, 661 e 662, os quais foram colhidos em absoluta inobservância dos princípios do contraditório e da ampla defesa; e, (ii) Seja indeferido o pedido ministerial no sentido de que o colaborador Fernando Moura seja novamente interrogado nestes autos, haja vista que a produção da referida prova se mostra inócua diante do quanto acima ponderado”, sustentou a defesa.

Na noite da quinta-feira, 28,a Procuradoria requereu a Moro que ordene novo interrogatório de Moura em razão de ‘flagrante contradição’ no depoimento que ele prestou na sexta-feira, 22, e um trecho de sua colaboração premiada, firmada em agosto de 2015. O pedido foi subscrito por onze procuradores da República que compõem a força-tarefa da Lava Jato. Eles destacam ‘a prova falsa produzida por Fernando Moura em juízo’.

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Nesta quinta, Moura foi ouvido pelos procuradores e confessou ‘ter mentido’ para Moro. Com isso, ele tenta salvar os benefícios que poderia ter como colaborador da Lava Jato. Os procuradores entregaram ao juiz o depoimento gravado do empresário.

Em documento de oito páginas, os advogados de Dirceu questionam ‘valor probatório do depoimento de um colaborador que apresentou uma versão num primeiro momento, a desmentiu em Juízo e diante do contraditório e, agora, sem apresentar uma justificativa convincente para tanto, tentou apresentar uma terceira versão, mas, diante dos questionamentos insistentes do Procurador e da possibilidade de perder todos os benefícios do acordo de colaboração celebrado, decidiu ratificar suas primeiras declarações’.

O trecho dos relatos de Moura que irritou os procuradores é relativo ao motivo de sua saída do País, em 2005, supostamente por sugestão do ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu – réu e preso da Lava Jato por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Na delação que firmou para se ver livre da prisão, o empresário afirmou em agosto de 2015 que ‘resolveu se mudar para Paris após receber a ‘dica’ de José Dirceu para ‘cair fora”.

A AUDIÊNCIA DE FERNANDO MOURA NA JUSTIÇA FEDERAL

Na sexta-feira passada, diante do juiz Sérgio Moro, em audiência formal no processo em que também é réu, Fernando Moura apresentou uma versão diferente. O juiz perguntou: “O sr mencionou que na época do Mensalão o deixou o país por qual motivo?’ O delator respondeu: “Eu deixei o pa … ai nessa declaração, até ai que depois que eu assinei que eu fui ler, eu disse que foi que o Zé Dirceu que me orientou a isso. Não foi esse o caso. Eu, eu saí, porque saiu uma reportagem minha na Veja, em março de 2005.”

Sérgio Moro lembrou ao empresário que na delação ele deu aquela versão, atribuindo a Dirceu a ideia de deixar o País. “Falei isso?”, questionou Moura. “Falou”, disse Moro. “Assinei isso?”, perguntou o empresário, rindo. “Devem ter preenchido um pouquinho mais do que eu tinha falado. Mas se eu falei, eu concordo.”

“Não, não é assim que a coisa funciona”, repreendeu Moro.

“Se eu falo e depois é colocado no papel, eu nem leio. Eu até pergunto para o advogado, ‘é isso aqui?’. Falou: ‘é'”, afirmou.

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