Defesa de brasileiro condenado em Cabo Verde repudia sentença em papel timbrado do Zorro

Defesa de brasileiro condenado em Cabo Verde repudia sentença em papel timbrado do Zorro

Advogados de Rodrigo Dantas, preso sob suspeita de tráfico de drogas no arquipélago na costa ocidental africana, protestam em nota contra o 'uso indevido' do símbolo

Fabio Serapião / BRASÍLIA

05 Abril 2018 | 05h00

Os advogados do brasileiro Rodrigo Dantas, preso em Cabo Verde, arquipélago na costa ocidental africana, se insurgiram contra a sentença do juiz local que foi produzida em papel timbrado com a figura do Zorro. Dantas e outros brasileiros foram presos no país africano após a polícia local encontrar 1 tonelada de cocaína no veleiro em que eles viajavam.

O personagem de ficção criado no início do século 20 pelo escrito norte-americano Johnston McCulley aparece nas páginas da sentença que condenou o brasileiro a 10 anos de prisão por tráfico internacional de drogas. Em todas as 104 páginas da decisão, o juiz Antero Lúcio de Lopes Tavares utilizou a famosa imagem de Zorro, com a espada em punho, em cima de seu cavalo, o Tornado – que ao empinar está apoiado apenas em suas patas traseiras.

“Não podemos deixar de repudiar com veemência, o uso indevido de símbolos estranhos à República de Cabo Verde, no timbre utilizado na dita decisão, por acreditarmos ser este o sentimento de todos os demais magistrados deste respeitável País, sabedores que o exercício da magistratura exige conduta compatível com os preceitos da imparcialidade, da cortesia, da transparência, da prudência, da dignidade, da honra e do decoro, do respeito às leis do seu país e dos tratados e convenções internacionais”, diz nota divulgado pelos advogados Bruno Espiñeira, Maurício Mattos e Victor Quintiere.

Velejador, Dantas achou um anúncio de emprego na internet e junto com outro amigo velejador decidiu enfrentar uma viagem pelo oceano Atlântico para entregar o veleiro na Ilha de Açores, em Portugal. Eles foram contratados pela empresa Yatch Delivery Company, com sede na Holanda.

O veleiro partiu em agosto, quando a Polícia Federal realizou uma inspeção na embarcação por duas vezes, em Natal e em Salvador. Nas duas ocasiões não foi encontrada a droga apreendida na ilha de Mindelo, em Cabo Verde.

O Ministério Público de Cabo Verde acusa Dantas e os outros brasileiros de tráfico internacional de drogas e afirma que a droga foi embarcada ainda em Natal. A Polícia Federal na Bahia abriu uma investigação e revelou que a droga teria sido embarcada no Espírito Santo, antes de Dantas e seu amigo embarcarem no veleiro. Entretanto, as autoridades cabo-verdianas não reconhecem a investigação brasileira.

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