Defesa da OAS pede novo depoimento de delegado da Lava Jato

Advogados de empreiteira querem, ainda, que PF entregue arquivos completos dos grampos

Redação

24 Fevereiro 2015 | 19h14

Por Julia Affonso

Oito advogados dos executivos da empreiteira OAS, alvos da Operação Lava Jato, pediram nesta terça feira, 24, à Justiça Federal no Paraná que determine novo depoimento do delegado Marcio Adriano Anselmo, da Polícia Federal, integrante da equipe que investiga o esquema de corrupção e propinas na Petrobrás. A defesa alega “possibilidade de edição completa dos arquivos” das escutas e seus conteúdos.

O pedido é subscrito pelos advogados Roberto Lopes Telhada, Edward Rocha de Carvalho, Jacinto Nelson de Miranda Coutinho, Juliano Breda, José Carlos Cal Garcia Filho, Daniel Müller Martins, Bruna Araújo Amatuzzi Breus e Leandro Pachani.

Eles sustentam que os investigadores sabiam que entre os monitorados da Lava Jato que mantinham contato com o doleiro Alberto Youssef – personagem central das fraudes e dos desvios – estavam pelo menos dois ex-parlamentares, Luiz Argôlo e André Vargas. Por isso, a defesa pede que a PF entregue os documentos originais das interceptações de comunicações pelo BlackBerry.

Em dezembro de 2014, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a cassação do mandato do ex-petista André Vargas (sem partido-PR). Seis dias depois, um pedido de vista coletivo livrou Luiz Argôlo (SD-BA) da cassação. Ele concorreu às eleições de 2014, mas não conseguiu se eleger novamente.

Seis dirigentes da OAS – entre eles Léo Pinheiro, número 1 da empreiteira – são réus da Lava Jato e estão presos desde 14 de novembro, quando foi deflagrada a Operação Juízo Final, sétima fase da Lava Jato que mirou o braço empresarial do cartel de empreiteiras instalado na Petrobrás.

“Vê-se claramente na documentação apresentada que ainda faltam dados essenciais para a análise da prova e sua cadeia de custódia, a começar pelos e-mails trocados entre a DICOR (Diretoria de Combate ao Crime Organizado da PF), em Brasília, e a RIM (operadora do BlackBerry) , no Canadá, os quais se requer desde já, em seu formato original para que se prove a absoluta ilegalidade no procedimento adotado”, afirma a petição subscrita pelos criminalistas que compõem o núcleo de defesa da OAS.

Segundo os advogados, “o que há são impressões de encaminhamentos de e-mails entre a DICOR e a autoridade policial, que não provam nada e não garantem a integridade dos dados”. A defesa da OAS diz que “já tem como certo” que houve edição dos arquivos.

Na petição, os criminalistas argumentam que o delegado da PF “afirmou com todas as letras que somente ‘com a deflagração da operação, foi solicitado à ‘Black Berry, através de seu escritório denominado ‘RIM’ no Canadá, que fornecesse todos os dados referentes ao cadastro dos interlocutores que tiveram contato com o alvo Alberto Youssef durante todo o monitoramento'”.

Para os advogados, “não é crível que em relação ao deputado Luís Argôlo, por exemplo, a autoridade policial afirme que ‘não foi possível durante o monitoramento identificar quem era o interlocutor’ e que tal identificação somente teria ocorrido após a deflagração da Operação Lava Jato, em 17 de março de 2014, mais precisamente em maio de 2014”.