‘Criminoso habitual’

No pedido de prisão preventiva de Geddel Vieira Lima, a quem a Polícia Federal atribui a posse de R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador, Procuradoria da República destaca que ex-ministro 'continua praticando crimes'

Beatriz Bulla, de Brasília, Luiz Vassallo e Julia Affonso

08 Setembro 2017 | 10h53

Geddel Vieira Lima. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ao requerer a prisão preventiva de Geddel Vieira Lima, o Ministério Público Federal classificou o ex-ministro dos governos Lula e Temer e ‘criminoso habitual’. Segundo a Procuradoria, Gedderal ‘continua praticando crimes’. O documento destaca que ‘lavagem de dinheiro por ocultação é delito permanente’.

+ Entre o lar de Geddel e bunker dos R$ 51 mi, uma caminhada de 12 minutos
+ Delatores Joesley e Funaro afundam Geddel
+ PF aponta relação de bunker de R$ 51 milhões com deputado irmão de Geddel
+ Juiz afirma que prisão domiciliar para Geddel é ‘completamente ineficaz’
+ Juiz mandou fazer buscas na casa da mãe de Geddel
+ PF achou digitais de Geddel e até fatura de empregada em bunker de R$ 51 milhões

Documento

Nesta sexta-feira, 8, Geddel foi preso pela Polícia Federal em Salvador por ordem do juiz Vallisney Oliveira, da 10.ª Vara Federal de Brasília. O ex-ministro estava em regime domiciliar. Agora, vai para a Penitenciária da Papuda. O principal motivo para a prisão do peemedebista foi a descoberta pela Operação Tesouro Perdido do bunker de R$ 51 milhões no bairro da Graça, a um quilômetro da residência de Geddel.

Segundo a Procuradoria, ‘mesmo detido, ele (Geddel) poderia, como efetivamente o fez, manter contatos com outros envolvidos nos crimes’.

Foto: PF

Também a pedido do Ministério Público Federal, a PF prendeu Gustavo Pedreira Couto Ferraz, superintendente da Defesa Civil de Salvador, apontado como ‘uma pessoa próxima’ a Geddel e cujas digitais foram identificadas na superfície dos sacos plásticos que envolviam as cédulas de dinheiro apreendidas na Operação Tesouro Perdido, deflagrada na terça-feira, 5 – no apartamento do empresário Silvio Silveira, emprestado a Geddel, os agentes enocntraram R$ 42,6 milhões e US$ 2,6 milhões em caixas e malas.

A missão desta sexta-feira, 8, ‘tem como propósitos preservar a ordem pública e impedir a destruição de provas bem como a prática de novos crimes’, assinalou a Procuradoria.

Investigado desde o ano passado na Operação Cui Bono?, que apura desvios de recursos em vice-presidências da Caixa Econômica Federal, Geddel estava em prisão domiciliar desde o mês de julho, após decisão do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. Entre 2011 e 2013, o político baiano ocupou a vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa.

COM A PALAVRA, GEDDEL

A defesa do peemedebista afirma que vai se manifestar quando tiver acesso aos autos.